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| Paulo Autuori não consegue resolver os problemas do São Paulo. Ney Franco também não conseguiu. |
“O mantive no cargo com plenas convicções. Como tenho absoluta certeza de que se ele tivesse continuado, o time estaria em uma situação melhor no Brasileiro. Uma troca no meio do campeonato é drástica. Teve uma viagem para a Europa e o planejamento foi alterado. O Paulo Autuori vai fazer um grande trabalho, porque tem a mesma qualidade, mas uma troca no meio do caminho foi terrível. Mas a pressão estava insuportável. Em todo mundo”. Adalberto Baptista, ex diretor de futebol do São Paulo deu essa declaração ao jornal O LANCE!. A entrevista foi publicada na quinta-feira, mesmo dia da derrota do Tricolor para o Criciúma no Morumbi.
A derrota de ontem para o Coritiba, no Couto Pereira me
fez parar e analisar o que disse o agora diretor secretário-geral do clube.
Deixando claro que ele não deveria ter dado essa declaração, será que ele tem
razão? Paulo Autuori foi a solução para o São Paulo?
O jogo contra o Coxa é sintomático porque os dois
melhores jogadores no primeiro semestre ficaram no banco de reservas. Jadson nem
foi utilizado e Osvaldo entrou no segundo tempo.
A fase dos dois é péssima, tão ruim quanto a do time, mas
no primeiro semestre Osvaldo foi convocado por Felipão e Jadson foi campeão da
Copa das Confederações. Como explicar tamanha mudança no futebol deles?
Antes da chegada de Ney Franco, Jadson e principalmente
Osvaldo eram vistos com desconfiança por torcedores e dirigentes. Ney acertou o
time no 4-2-3-1 com uma linha ofensiva com Lucas, Jadson e Osvaldo e o Luis
Fabiano na referência. O segundo semestre tricolor foi bom (quarto colocado no
Brasileirão e campeão da Sulamericana).
A saída de Lucas para o PSG foi o início da derrocada do
clube. As contratações ruins (Lucio, Wallyson, Silvinho, Roni, Caramelo) também
ajudaram nesse filme de terror.
Aos trancos e barrancos o primeiro turno do São Paulo foi
razoável. Ney Franco não foi culpado da suspensão de 4 jogos do Luis Fabiano,
nem da expulsão de Lucio contra o Atlético-MG nas oitavas-de-final da
Libertadores (o tricolor atropelou o Galo enquanto tinha 11 jogadores, fez 1 a
0, e viu o Ademilson perder ao menos três chances claras para aumentar). Após a
expulsão do zagueiro, o alvinegro virou e no jogo da volta passou o trator.
A diretoria demitiu Ney dia 05 de julho, uma sexta-feira.
A direção teve 20 dias durante a copa das confederações para mudar o comando do
time e não fez. Bastou a derrota para o Corinthians, no jogo de ida da Recopa
para tudo desmoronar. Se já era o desejo mudar o comando técnico, porque isso
não foi feito antes? Durante a Copa das Confederações?
Quando Ney Franco caiu o time vinha de 5 partidas sem
vitória (a sequência chegou a 12 jogos com Paulo Autuori). O time tiha 8 pontos
em 5 rodadas do Brasileirão.
E agora qual a situação. Autuori ganhou dois jogos
oficiais (Fluminense e Náutico). O continua jogando mal, o time é desorganizado
dentro de campo. Fabricio, afastado por Ney, foi reintegrado, mas quando joga
apenas está em campo. O mesmo vale para PaulO Henrique Ganso, o craque
imaginário. Luis Fabiano segue seu ritmo de jogar com o nome e não resolver
quando o time precisa.
Rodrigo Caio é zagueiro, volante, lateral, esforçado, mas
é fraco. Douglas, que era titular e continua titular, também continua sendo
ruim e os torcedores seguem pegando no seu pé. Rogério Ceni é extraordinário, é
a maior lenda do clube, mas não está fazendo a diferença. Aloísio tem muita
raça, mas pouca técnica. O único jogador que evoluiu desde Autuori chegou foi
Reinaldo, lateral esquerdo, que ao menos não tem preguiça de correr e as vezes,
acerta cruzamentos.
Não sei se Adalberto Baptista tem razão quando diz que o
São Paulo não estaria na zona de rebaixamento com Ney Franco, mas o que está
cada dia mais claro é que Paulo Autuori não é a solução. Os vascaínos tem muita
gratidão por Juvenal Juvêncio e seus amigos, já que o alvinegro carioca
melhorou muito desde a chegada de Dorival Junior.
Na época da contratação, já se discutia o que Autuori,
que tem uma história no Morumbi (foi o técnico da Libertadores e do Mundial
2005) poderia trazer já que os últimos trabalhos no Brasil, Cruzeiro, Grêmio e
Vasco eram ruins. A resposta está dentro de campo. Nunca fui adepto da mudança
de técnicos, mas acredito que demitir o Autuori possa ajudar o clube.
Para qualquer mudança dar resultado, mas do que mudar o
técnico é preciso mudar a filosofia do clube. O presidente não pode esquecer do
campo para pensar em eleição, diretor que não é ligado ao futebol não tem que
dar entrevista para falar daquilo que não é de sua alçada. Vocês conseguem
imaginar JJ mudando essas coisas? Eu não consigo.
Escrito por: Vinicius Alexis - @Vinicius_Alexis - vinicius.alexis.cruz@gmail.com

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