Muito se
fala do futebol em dimensões físicas, técnicas, táticas, porém, diversas vezes
a dimensão psicológica é negligenciada causando consequências no processo de
formação do jogador em inicio de carreira.
Com cada
vez mais frequência somos surpreendidos com casos de abuso físico e psicológicos,
com crianças e adolescentes em fase formação esportiva.
O
Estatuto da criança e do adolescente prevê que toda criança tem direito a
convivência familiar. Porém, crianças que escolhem seguir o sonho de torna-se
um jogador profissional passam a residir em república na companhia de outras
crianças e de desconhecidos, gerando assim dificuldades no processo de
desenvolvimento.
Durante o
processo desenvolvimento a criança busca referência e autoafirmações através da
aprovação e elegem pessoas como modelos. Essas pessoas normalmente são membros da
família. No ambiente esportivo encontra-se normalmente pressão e cobrança por
resultados, dificultando a relação de aprovação tão importante neste período.
É
importante ter uma equipe técnica minimamente conhecedora de desenvolvimento
infantil.
Um
profissional na área de Psicologia, por exemplo, irá acompanhar a criança e/ou
adolescente trabalhando fatores de relações interpessoais, frustração,
tolerância, autoconfiança e ansiedade.
Não podemos esquecer que a formação do atleta ocorre
simultaneamente com a formação da identidade, fase que ocorre diversas mudanças
psicobiofisiologicas. A Intervenção é realizada levando-se em consideração
tanto o “ser humano” quanto o “ser atleta” desenvolvendo a capacidade de
trabalhar em equipe, cumprir horários, saber ouvir, reconhecer limites e
desenvolver a promoção da saúde.
Podemos
identificar alguns prejuízos como: não direito à educação e à convivência
comunitária, excesso de carga nos treinamentos, crimes sexuais e tráfico
nacional e internacional de pessoas.
Somente no período de dois anos, a revista PLACAR contabilizou pelo menos 22
casos de abuso sexual relacionados ao futebol. Em todas as ocorrências
registradas, clubes e escolinhas não contavam com apoio de psicólogos.
O Brasil
conhecido como país do futebol deveria seguir exemplo de países que conciliam
esportes e educação propiciando assim um verdadeiro desenvolvimento. Isto tente
a produzir atletas de melhor qualidade não apenas fisicamente mas na
autoestima, e em perspectivas.
Exemplo no Barcelona, onde
a infraestrutura do clube proporciona aos seus atletas desde a categoria
de base em diferentes modalidades uma equipe interdisciplinar com médicos,
fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, assistente sociais entre outros
profissionais que auxiliam na formação em longo prazo dos atletas.
A
psicologia do esporte tem sido solicitada principalmente no futebol para casos
emergenciais como Adriano imperador, Bruno ex-goleiro do flamengo, não se valoriza
a importância de acompanhar e realizar uma estrutura forte na categoria de
base.
É importante:
ü
Criar
campeonatos infantis bem organizados.
ü
Ter
uma equipe multidisciplinar para acompanhar o desenvolvimento do atleta.
ü
Capacitar
os treinadores para entenderem da dimensão psicológica dos seus atletas.
Deixamos
bem claro que isto não é uma simples critica ao treino de crianças e
adolescentes, até porque o futebol assim como outros esportes tem sua vida útil
pequena, onde profissionais são velhos aos 30 anos, aposentadoria é outro temos
importante assunto a se tratar.
O
objetivo é esperar verdadeiros resultados positivos dentro e fora do campo de
profissionais do futebol sem olhar e investir na formação por inteiro não é possível.
Bruna Conceição é psicóloga, apaixonada por esporte e colunista do Portal Esporte Noticia.
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