PALMEIRAS E W/TORRE CONTINUAM EM ROTA DE COLISÃO

            A cada dia parece ser mais difícil imaginar que a situação que envolve W/Torre, Palmeiras e Arena Palestra tenha um final agradável para todas as partes. Nessa terça-feira o presidente do Verdão, Paulo Nobre e o mandatário da construtora, Walter Torre trocaram acusações e existe até a possibilidade da obra ser interrompida.
            “Não tenho culpa se o Paulo (Nobre, presidente) não consegue melhorar o time com novos jogadores. Por isso, ele foca a critica em nós. Como ele não tem dinheiro para o time, busca sucesso batendo em nós”, disse o dono da W/Torre.
            A maior polêmica está na quantidade de cadeiras que cada parte terá direito. A construtora diz que poderá negociar 100% das cadeiras, já o clube diz que a parte da empresa é de 10%.
            Essa divisão não interfere na renda das partidas. Quem comprar uma cadeira terá direito a utilizá-la em todos os jogos da temporada, mas precisará pagar ingresso, cujo valor será todo repassado ao Palmeiras.
            Com 71% das obras concluídas, a W/Torre recalculou o custo total das construções (estádio, área social e remanejamento urbano) em R$ 630 milhões. A inauguração deve acontecer entre abril e junho. Por questões de acessibilidade e tamanho dos assentos, a capacidade da arena pode cair de cerca de 45 mil lugares, como era esperado inicialmente, para 43.700.
            “Só quero seguir o contrato. Não quero seguir outra coisa. É uma escritura pública. A Arena inteira é nossa, não tem discussão. Não tem interpretação. Vamos seguir o contrato. O contrato foi validado pelo COF, assinado pelos conselheiros, ficou à disposição do clube e para consulta”, disse Torre.
“E reduzindo o ritmo dos trabalhos até que tenhamos um acordo com o Palmeiras. Não julgo necessário parar a obra. Acionar a arbitragem será suficiente. Para acionar, só estou aguardando um posicionamento definitivo do Paulo. Podemos nos reunir novamente nessa semana e, dependendo da resposta, vamos acionar a arbitragem” finalizou o dirigente.
Devido a esse clima o presidente Paulo Nobre deu uma entrevista coletiva hoje e deixou claro que está defendendo os interesses do clube. "Não aceitamos em hipótese alguma ser ferida a soberania do clube. Queremos deixar muito claro que ninguém vai passar o Palmeiras para trás e nós vamos defender até última instância o interesse da nossa sociedade".
"Me surpreende que uma obra já atrasada, o responsável pela construtora admita publicamente que está desacelerando. Isso me preocupa até juridicamente. Mas o Palmeiras não tem a menor preocupação sobre parar a obra", disse o presidente.
Segundo a Folha de S. Paulo, a briga entre Palmeiras e a WTorre pode tirar R$ 300 milhões da equipe palestrina nos próximos 30 anos. O dinheiro seria arrecadado com as cadeiras numeradas, mas as partes não conseguem chegar a um acordo sobre o número de assentos a cada qual cada um terá direito.
A polêmica rendeu ao longo do dia e no fim dessa terça-feira a W/Torre voltou a se pronunciar através de uma nota oficial.
Leia a nota da W/Torre na íntegra:
Nota de Esclarecimento
Desde 2008, a WTorre aceitou o desafio de viabilizar a construção da mais relevante arena multiuso do País. Para tanto, conduziu negociações com o Palmeiras, um clube historicamente receptivo à inovação, e chegou a um acordo que deu segurança a todas as partes, em uma relação de ganha-ganha. Recentes reportagens publicadas na imprensa, no entanto, exigem esclarecer a forma de condução das negociações e os principais termos do contrato.
Em 2008, o clube formou um grupo executivo multidisciplinar para o projeto da arena, composto de diretores das áreas Jurídica, Administrativa e de Planejamento da Sociedade Esportiva Palmeiras (SEP), além de membros do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), entre outros. Do grupo faziam parte Antônio Carlos Corcione, Antônio Augusto Pompeu de Toledo, José Cyrillo Júnior, Luiz Gonzaga Belluzzo, Marcelo Solarino e Vicente Criscio, entre outros. Foi esse grupo que, durante meses, discutiu as bases do acordo com a WTorre.
O clube ainda contou com profissionais externos, para assessorá-lo na negociação, contratando a PluriCorp S.A. Engenharia Financeira e Societária, na pessoa do consultor Vladimir Antonio Rioli, além do escritório Duarte, Garcia, Caselli, Guimarães e Terra Advogados Associados, representado por seu sócio Dr. Marcelo Terra, considerado um dos melhores advogados especializados em direito imobiliário do Brasil.
A pedido do clube, a PluriCorp entregou estudo comparativo dos grupos procurados pelo Palmeiras para a construção da arena, desde a época da Comissão Pró Estádio, instituída ainda na gestão do presidente Mustafá Contursi. A conclusão do relatório, dividida com o Conselho Deliberativo e com a Diretoria do clube, foi que apenas a proposta formulada pela  WTorre atendia a todos os requisitos exigidos pela SEP.
Após a Diretoria do clube aprovar a proposta negociada entre a comissão e a WTorre, o modelo de negócios foi submetido ao Conselho Deliberativo, que aprovou integralmente o material.
Com o modelo de negócios aprovado, foi elaborada a versão do documento de entendimento entre as partes, que deu origem a uma minuta de contrato.
Essa minuta foi submetida ao COF, que deu seu parecer afirmando que o documento espelhava fielmente o modelo de negócios apresentado e aprovado pelo Conselho Deliberativo.
Esse documento ficou à disposição para consulta dos sócios na secretaria do clube, antecedendo a Assembleia Geral de Sócios, no qual o acordo foi aprovado, permitindo ao então presidente, Affonso Della Monica, assinar o contrato.
Todo esse processo permitiu uma completa avaliação do acordo por parte de todos os envolvidos, desde conselheiros, membros da Diretoria e do COF, como também pelos associados do clube. O acordo garantiu ao Palmeiras vantagens como:
- zero de dívida e zero de investimento;
- novas instalações para o clube social (mais de 20 mil m² de área construída, orçada em R$ 75 milhões) já entregues;
- manutenção de 100% da receita de bilheteria dos jogos do clube;
- participação em todas as receitas da arena, como patrocínios, venda de alimentos e bebidas, estacionamento, aluguel para shows, aluguel de cadeiras e camarotes, entre outras. A participação do clube se dá em percentuais crescentes (5% a 30% e 20% a 45%, dependendo do tipo de atividade) sobre a receita líquida, não sobre o resultado. Na prática, todo o risco do empreendimento é da WTorre. O clube não corre risco sobre a operação;
- nenhum período de carência. O Palmeiras começa a receber desde o primeiro dia de funcionamento da arena.
Portanto, conforme os termos do contrato, o Palmeiras tem acesso, sim, às receitas de venda de cadeiras, mas nos percentuais estabelecidos no acordo firmado. Além disso, mantém acesso a 100% da arrecadação com as bilheterias nos jogos de futebol. O que a nova diretoria do clube pretende é alterar o que já está contratado faz muito tempo.
Em estudo entregue recentemente pela WTorre ao presidente Paulo Nobre, ficam evidentes as vantagens trazidas pelo projeto ao time. Ao todo, o acordo tem potencial de gerar uma receita bilionária para o clube no prazo de vigência do contrato.
A WTorre tem feito todos os esforços para buscar o entendimento com a atual diretoria do clube, a mesma postura que sempre adotou na relação com o Palmeiras. Garantir a observação dos direitos e dos interesses do clube é uma premissa da empresa, pois entende que somente dessa forma será possível preservar uma relação de 30 anos. O objetivo imediato é assegurar a finalização do projeto e a concretização dos benefícios previstos no plano de negócios para todas as partes.


Escrito por: Vinicius Alexis - @Vinicius_Alexis - vinicius.alexis.cruz@gmail.com
Share on Google Plus

About Unknown

    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário