Hoje o Galo estreia no Mundial de
Clubes da FIFA, contra o Raja Casablanca e tem a missão de vencer para chegar a
final
8 de agosto de 2011, Belo Horizonte. O Atlético Mineiro
anuncia a contratação de Cuca para resolver uma situação de emergência. O time
ocupava a 16a colocação no Campeonato Brasileiro, com quatro vitórias, três
empates e oito derrotas. A missão era evitar o rebaixamento, o segundo da
história.
18
de dezembro de 2013, Marrakech. O Atlético Mineiro estreia nesta quarta-feira,
às 17h30 (horário brasileiro de verão) contra o Raja Casablanca para fazer
história. O time chega aos dois últimos jogos do ano para tentar o título do
Mundial de Clubes, depois de chegar à taça da Libertadores, a primeira nos 104
anos do clube.
Entre as duas datas, passaram-se 864 dias.
Entre as duas datas, passaram-se 864 dias.
Tempo
para o Atlético mudar o rumo de sua história e chegar ao ponto máximo de sua
existência. Tempo para um time ser quase completamente remontado, sob a batuta
de um treinador que chegou com a pecha de derrotado.
Naquele
8 de agosto de 2011, o goleiro Victor era jogador do Grêmio; Marcos Rocha
estava emprestado para o América Mineiro; Leonardo Silva, com dois meses de
clube, ainda não tinha se firmado; Lucas Cândido, então com 17 anos, ainda
estava na base.
Os
volantes também eram outros. Josué estava no Wolfsburg, da Alemanha, e Pierre -
depois de um período difícil no Palmeiras - só chegaria ao clube mineiro no dia
18, dez dias depois do treinador.
O
quarteto ofensivo atual estava separado por milhares de quilômetros. Ronaldinho
Gaúcho estava no Flamengo; Diego Tardelli, no Anzhi; Jô lutava por um espaço no
Internacional, e Fernandinho, no São Paulo - Bernard, peça fundamental para o
título da Libertadores e que deixou o clube após a conquista, não havia se
firmado na equipe titular.
Naquele
2011, apesar de ter livrado o Atlético da degola, Cuca viu o time desabar na
última rodada do Brasileiro. Com a chance de rebaixar o rival Cruzeiro, a
equipe acabou goleada por 6 a 1 na última rodada.
"Parecia
que o mundo tinha acabado. Iniciamos 2012 sendo cobrados, a torcida virando
faixas e ficando de costas para os jogos. Foi doído, muito doído. Em cima
daquela tragédia, fizemos um pacto para que aquilo fosse um marco para o nosso
grupo", disse o treinador, já no Marrocos, às vésperas de estrear num torneio
que parecia a uma distância planetária das ambições do clube.
A
reação começou com o título mineiro de 2012, mas era pouco. "Nos aproximou
da torcida, mas eles não estavam satisfeitos com o título em cima do América,
queriam um título maior."
Poderia
ter sido o título brasileiro, e o Atlético lutou até as rodadas finais, mas viu
o Fluminense levantar a taça. O vice, contudo, deu ao time uma vaga na
Libertadores, 13 anos depois da última participação.
Aí,
veio a consagração. De Victor, o goleiro que virou santo depois de defender um
pênalti aos 48 do segundo tempo contra o Tijuana, nas quartas de final; de
Leonardo Silva, que levou a decisão do título para os pênaltis com um gol
heroico; de Réver e Marcos Rocha, que se transformaram em jogadores de seleção.
Ronaldinho,
outrora dado como acabado e contratado sob desconfiança, voltou a brilhar;
Tardelli e Jô retomaram os melhores momentos da carreira; Bernard explodiu.
Depois de anos de sofrimento, de ver o maior rival conquistar duas vezes a
maior taça das Américas, o Atlético, enfim, vencia a Libertadores.
Um
caminho longo, muito mais complicado que as quase 24 horas de voo que levaram a
delegação de Belo Horizonte a Marrakech para uma missão que ainda não acabou.
"A
gente tem que sempre pensar no melhor e no maior. A maior coisa que um clube
pode ter é o campeonato mundial, e faltam duas partidas. Passando quarta feira,
no sábado vai faltar uma", disse Cuca.
O
Atlético é favorito contra o Raja Casablanca, mas nem por isso a comissão
técnica e os jogadores acreditam em jogo fácil. Primeiro, porque a torcida do
rival deve invadir Marrakech; segundo, porque o adversário já chega embalado
por duas vitórias - bateu Auckland City e Monterrey, ambos por 2 a 1.
E,
por fim, há o peso da estreia. De uma estreia na competição que, em agosto de
2011, parecia improvável até mesmo para o mais fanático dos atleticanos. Mas
que será verdade nesta quarta, a partir das 17h30, em um estádio lotado, e com
cerca de 10 mil torcedores que vieram desde o Brasil para ver o sonho se transformar
em realidade diante de seus olhos.
FICHA
TÉCNICA
Atlético
Mineiro x Raja Casablanca
Semifinal do Mundial de Clubes da Fifa
18 de dezembro de 2013
Estádio de Marrakech, Marrakech, Marrocos
17h30 (horário brasileiro de verão) / 19h30 no horário local
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP)
Assistentes: Roberto Alonso Fernandez e Juan Carlos Yueste Jimenez (Ambos da Espanha)
Semifinal do Mundial de Clubes da Fifa
18 de dezembro de 2013
Estádio de Marrakech, Marrakech, Marrocos
17h30 (horário brasileiro de verão) / 19h30 no horário local
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP)
Assistentes: Roberto Alonso Fernandez e Juan Carlos Yueste Jimenez (Ambos da Espanha)
ATLÉTICO
MINEIRO
Victor; Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva e Lucas Cândido; Pierre e Josué; Diego Tardelli, Fernandinho e Ronaldinho; Jô. Técnico: Cuca
Victor; Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva e Lucas Cândido; Pierre e Josué; Diego Tardelli, Fernandinho e Ronaldinho; Jô. Técnico: Cuca
RAJA
CASABLANCA
Askri; El Hachimi, Adil Karrouchy, Mohamed Oulhaj e Benlamalem; Erraki, Guehi, Chtibi e Moutaouali; Lajour e Hafidi. Técnico: Faouzi Benzarti
Askri; El Hachimi, Adil Karrouchy, Mohamed Oulhaj e Benlamalem; Erraki, Guehi, Chtibi e Moutaouali; Lajour e Hafidi. Técnico: Faouzi Benzarti

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