Informação é do jornalista Rodrigo
Mattos e foi publicada hoje em seu blog no UOL
O escritório de advocacia Dannemann Siemsen tem como
um dos sócios o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, e representa a CBF em
casos de propriedade industrial. Foi a confederação que denunciou a
irregularidade do jogador Heverton, da Portuguesa. Isso gerou um julgamento em
primeira instância na Justiça Desportiva que rebaixou o time paulista e salvou
a equipe tricolor.
Siemsen
alegou ao blog que está licenciado de seu escritório e que este atua na defesa
de diversas entidades e empresas, sem sua participação direta. Por isso, não vê
conflito de interesses. Já o departamento jurídico da CBF argumentou que já
contratara o escritório em 1990, antes de o dirigente tricolor trabalhar por
lá, e também não vê problemas nesse relacionamento.
Não
há nada de ilegal, nem desrespeito a regulamentos esportivos no fato de a
empresa do cartola do Fluminense atuar em favor da confederação em outras áreas
fora da esfera esportiva. O que a equipe do Dannemann Siemsen faz é defender os
interesses da CBF em casos de registro de marcas.
Por coincidência,
o escritório de Siemsen representa a confederação justamente em um pedido junto
ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) para registro do nome
Brasileirão. O processo corre desde 2010 e ainda não teve sucesso. O advogado
Gustavo Piva de Andrade, que não quis falar do assunto, é quem atua em nome do
escritório.
“Estou
licenciado do escritório. Não trabalho lá. Meu escritório tem mil clientes,
Fifa, CBF, Nike, Unimed. Não vejo porque exista conflito de interesse. Além do
que, se der um valor político, o que o escritório ganha com isso é irrisório,
não representa nem 0,0001%'', afirmou Siemsen.
Sua
alegação é de que, como o escritório é um dos maiores da América do Sul, não
poderia fazer nada se levasse em conta todos os clientes com os quais ele não
tem relação direta. “Todo mundo é cliente, como a ESPN onde várias vezes sou
criticado.'' Após dar todas as explicações, presidente do Fluminense ligou
novamente para o blog para dizer que seu escritório também advogava para o UOL.
Siemsen
disse que não lembra se atuou diretamente em favor da CBF como advogado antes
de ser presidente do Fluminense. “Já tinha negociado com a Unimed (patrocínio),
que é cliente do escritório, como presidente do clube'', afirmou ele, que
também não vê conflito de interesse no relacionamento de seu escritório com a
patrocinadora do time tricolor. “Não tem nada a ver comigo. São 60 advogados.''
A
Unimed é patrocinadora do Fluminense e da confederação. Por sinal, a CBF
também alegou que o escritório é o maior da América do Sul e afirmou que
Siemsen não atuou diretamente na defesa da entidade.
“O
escritório atua pela CBF desde 1990. Não tem conflito de interesse. São
centenas de advogados. É ridículo fazer esse tipo de relação'', afirmou o
diretor jurídico da confederação, Carlos Eugênio Lopes. “Utilizamos outro
advogado. O Peter nem trabalha lá. Não teve relação com ele. Desde 90, alguns
advogados já nos atenderam.''
Para
completar, Siemsen ainda questionou que a CBF tenha favorecido de qualquer
forma o Fluminense no caso do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).
Segundo ele, a entidade atuou como mero fiscalizador do regulamento do
Brasileiro.
“Pode
haver qualquer órgão regulador. Seria a CBF, o Clube dos 13. Tem a obrigação de
detectar a irregularidade. Parte-se do pressuposto que há uma fiscalização. E
foi o tribunal (STJD) que recebeu a causa, analisou e aplicou a lei'', contou.
Ele ainda lembrou que, como gestora do Brasileiro, a CBF também cuida da
arbitragem que errou em favor do Criciúma em jogo decisivo para o rebaixamento
no campo do Fluminense.
Ainda
não há data para a conclusão do processo no INPI para saber se a CBF ficará com
a propriedade do nome Brasileirão. Com a ameaça de ações na Justiça Comum pela
Portuguesa, também não há data para saber quem serão os rebaixados do
Brasileirão-2013.
Opinião do Blog: A cada dia a situação fica mais
estranha. Pensando que a CBF não é feita de santos e que o seu histórico é
muito ruim, essas informações apenas aumentam as teorias da conspiração. O erro
da Portuguesa é claro, mas será que só ela errou. A Lusa não errou de má-fé,
isso é claro, mas e essa situação? Tudo isso é um grande mal entendido?

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