LUSA É REBAIXADA NO STJD



            Pleno mantêm decisão e tira quatro pontos de Portuguesa e Flamengo. Ao que tudo indica o Brasileirão não acabou na 40ª rodada
 


            Com o placar de 8 a 0, o Pleno do STJD confirmou nesta sexta-feira a perda de quatro pontos pela Portuguesa pela escalação irregular do meia Héverton na partida contra o Grêmio (empate por 0 a 0), na última rodada do Brasileirão 2013. A punição acabou decretando o rebaixamento da Lusa à Série B (o clube paulista caiu para a 17ª colocação, com 44 pontos. Com isso, quem se deu bem foi o Fluminense, que escapou da degola.
“O caso de descumprimento da lei é claro. A escalação irregular é fato incontroverso. Deixaremos de cumprir o CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) para atender ao clamor público? Seria o caos jurídico. Há uma tentativa insana de descumprir o regulamento”, disse em seu voto o relator do processo, o auditor Décio Neuhaus.
O julgamento em segunda instância confirmou a decisão da Comissão Disciplinar que tratou do caso, e, por unanimidade, decidir punir a Lusa no último dia 16 de dezembro (5 a 0). O clube, se quiser, pode ir à Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, para derrubar a decisão do STJD. Os dirigentes do clube também não descartam acionar a Justiça comum.
O relator, que trouxe o voto pronto e fez a leitura por 42 minutos, fez questão de rebater tese por tese a argumentação da defesa da Portuguesa, feita pelo advogado João Zanforlin.
A Lusa alegou que a moralidade deveria ser usada, mantendo o resultado de campo. Além disso, citou que Héverton, escalado de forma irregular contra o Grêmio, não mudou o jogo.
“É um jogador que foi reserva durante todo o campeonato. Não tem uma qualidade técnica para desequilibrar uma partida. Não teve vantagem desportiva”, disse Zanforlin, que ainda citou que foi induzido ao erro pela CBF:
“O documento da CBF diz que a contagem também é de suspensões dadas pelo STJD. E até a terça-feira o Héverton tinha condição de jogo. Que auxílio é esse? Diz que tem condição e depois manda denúncia!”
A Lusa teve o apoio do Flamengo, que participou como terceiro interessado.
“Para que serve o Bid da suspensão? Para nada? Então para que ele existe?”, indagou o advogado do Fla, Michel Assef Filho, referindo-se a documento da CBF que alerta sobre suspensões.
O Fluminense, outro interessado, clamou pelo cumprimento do artigo 214 do CBJD, no qual os clubes foram enquadrados. Mário Bittencourt, que representou o Tricolor, citou Nelson Rodrigues e um trecho do livro O Pequeno Príncipe.
“Cito Nelson Rodrigues: ‘Nada é mais difícil e cansativo do que defender o óbvio.’ Meia dúzia de irresponsáveis querem constranger o Fluminense a brigar pelo direito e a vocês (auditores) a fazer valer a regra assinada por todos. Se inverteu a ordem das coisas. Para a Portuguesa, moralidade é 37 rodadas serem iguais e a última ser diferente, porque a beneficia. A Portuguesa já mudou de tese 19 vezes! Cito o Pequeno Príncipe: ‘Regulamento é regulamento. Bom dia’”, argumentou Bittencourt.
O Fluminense seguiu a mesma linha da procuradoria, que acabou sendo o entendimento dos auditores. Sendo assim, a punição foi dada e a Lusa rebaixada.
“Devemos preservar as regras pré-estabelecidas. O que estamos julgando vai muito além de Portuguesa e Fluminense”, concluiu o presidente do STJD, Flavio Zveiter, último a votar e que confirmou o 8 a 0.
            O Flamengo foi punido com a perda de quatro pontos no Brasileirão-2013 por causa da escalação irregular do lateral-esquerdo André Santos, contra o Cruzeiro, na última rodada do Brasileirão. A decisão foi tomada nesta sexta-feira pelo Pleno do STJD, que confirmou, por unanimidade, a decisão em primeira instância do Tribunal.
“O referido atleta, por conta e risco da agremiação, atuou estando suspenso. O atleta e o time não cumpriram a norma”, disse o reltor do processo, o auditor Miguel Cançado.
O Flamengo, por meio do advogado Michel Assef Filho, tentou argumentar que a lei é dúbia e apresentou três interpretações, alegando que o jogador estaria regular. Ele citou o código da Fifa, regulamento geral de competições e uma resolução da CBF.
            Apesar de o Superior Tribunal de Justiça Desportiva ter mantido a condenação da Portuguesa e confirmado o rebaixamento para a Série B, o assunto não parece encerrado. A definição final desta sexta-feira não mudou a ideia do Ministério Público de São Paulo de tomar providências sobre o tema, para proteger o direito dos torcedores.
Segundo o promotor de Direito do Consumidor, Roberto Senise, o MP está estudando se o STJD considerou o Estatuto do Torcedor para tomar a decisão e, mais do que isso, se ignorar a lei tem sido recorrente nos julgamentos do tribunal desportivo.
"Os torcedores têm direitos previstos na Lei Federal. Os auditores do STJD dizem que estão agindo na legalidade, mas o MP não concorda que eles estejam. Os torcedores têm de ser respeitados. E não estou falando só de um caso, estou falando de forma geral. O que houve também em outros julgamentos, se isso aconteceu. Ainda não posso dizer se eles ignoraram sempre o Estatuto, mas estamos estudando isso", afirmou ao ESPN.com.br.
De acordo com o promotor, o Ministério Público tem duas alternativas: abrir um inquérito para analisar o caso ou entrar direto com uma ação civil judicial contra os envolvidos no caso.
"Assisti ao julgamento inteirinho, defesa por defesa, voto por voto, toda a explanação do relator. Nada mudou para o Ministério Público. Vamos continuar com a ideia que tínhamos. Estamos acabando de analisar o caso e vamos divulgar nossa posição no dia oito de janeiro. Se não entrarmos com uma ação, vamos abrir um inquérito para apurar o caso", disse Senise.
"A nossa ação não precisa de provocação. Se nenhum torcedor entrar na Justiça, nós vamos fazer a mesma coisa, isso independe. A gente defende os interesses gerais, dos torcedores. Não nos interessa o interesse dos clubes. É bom deixar claro que eu nunca fui procurado por nenhum dirigente de clube, de nenhuma federação, muito menos da CBF", completou.
No dia 8 de janeiro, haverá uma coletiva de imprensa com o promotor do MP para divulgar qual será a postura do órgão em relação ao caso da Portuguesa.
"O Brasileiro só começa em abril, maio. Vamos tomar uma decisão do que fazer logo em janeiro. É muito cedo para dizer se o que vamos fazer vai influenciar em algum coisa", finalizou, ao ser perguntado sobre as consequências de uma ação do Ministério Público na Justiça.
Share on Google Plus

About Unknown

    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário