Foram
4min44s59 de um discurso cuidadosamente escrito e lido com a cabeça quase
sempre baixa.
Sandro Rosell disse adeus
à presidência do Barcelona nesta quinta-feira após três anos e sete meses,
tentando fazer um balanço positivo e alegando inocência. O presidente falou em
catalão e logo passou a palavra ao novo mandatário, Josep Maria Bartolomeu.
Leia, abaixo, a íntegra do discurso de despedida de Sandro Rosell aos jornalistas presentes na sala de imprensa do Camp Nou:
"Cerca de quatro anos atrás, nas eleições de junho de 2010, milhares de sócios do Futbol Club Barcelona foram às urnas com o sonho de dar sua opinião sobre como deveria ficar o comando o clube. Foi um dia inesquecível, uma festa democrática que reforçou a grandeza do nosso Barça
Leia, abaixo, a íntegra do discurso de despedida de Sandro Rosell aos jornalistas presentes na sala de imprensa do Camp Nou:
"Cerca de quatro anos atrás, nas eleições de junho de 2010, milhares de sócios do Futbol Club Barcelona foram às urnas com o sonho de dar sua opinião sobre como deveria ficar o comando o clube. Foi um dia inesquecível, uma festa democrática que reforçou a grandeza do nosso Barça
Aquele
dia, 61% dos votos deram à equipe que eu liderava a missão de dirigir o destino
do clube até o fim de 2016.
Nestes
quatro anos, sorrimos e sofremos pelo fato de sermos barcelonistas, como por
mais de um século sorriram e sofreram muitas gerações de pessoas que também
eram.
Em
todos esses anos, vimos que nosso êxitos são resultados das vitórias dentro de
campo e de superar inomináveis obstáculos extra-esportivos, políticos e
externos e, o que é pior, algumas vezes saídos de nosso próprio entorno.
Nestes
últimos quatro anos nós ganhamos uma Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes,
duas ligas, uma Copa do Rei, uma Supercopa da Europa, três Supercopas da
Espanha e uma Copa da Catalunha. Além disso, em outros departamentos nós nos
mostramos de forma triunfal nossas cores por todo o mundo, ilustrando nosso
caráter poliesportivo.
Hoje,
a ideia do barcelonismo é um sentimento global, e isso continuará no futuro.
Nossa
liderança esportiva mundial, que começou com Ronaldinho naquela final em Paris,
continuou com os gols de Messi em Roma e em Londres, somando-se a uma gestão
financeira eficaz, que nos permitiu ainda assim seguirmos competitivos, reduzir
a nossa dívida, recuperar e ampliar nosso patrimônio. Além disso, temos o
orgulho de saber que os melhores jogadores do mundo atualmente vestem nossas
cores.
A esta situação soma-se o imenso sonho que representa o nosso
novo estádio, que será construído sobre a base de nosso mágico e lendário Camp
Nou, e que os sócios devem ratificar no mês de abril em um referendo.
Mas esse período também
teve alguns períodos muito difíceis. Faz tempo que eu e minha família nos calamos
diante de ameaças e ataques que me fizeram pensar se ser presidente significa
colocar em risco a minha família e causá-los angústia.
Nos
últimos dias, sobretudo, uma injusta e temerária acusação de apropriação
indébita acabou desencadeando um processo contra mim na Audiência Nacional.
Desde o primeiro momento eu tenho dito que a contratação de Neymar é correta e
que ela provocou o desespero e a inveja de alguns dos nossos adversários.
O
direito dos sócios de serem informados deve ser compatível com a defesa do
clube de confidencialidade de algumas matérias e fatos. Esta confidencialidade
é essencial no mundo do futebol porque, caso contrário, pode levar o próprio
clube a se prejudicar.
Esta
Junta Diretiva é uma equipe. Esta equipe lidera um projeto que já nos deu
grandes frutos. Não quero que ataques injustos afetem negativamente essa gestão
e a imagem do clube. E é por isso que penso que minha etapa acabou aqui.
E
agora, acolhido do estatutos do clube, apresentei à junta diretiva a minha
renúncia como presidente do Futbol Club Barcelona, em caráter irrevogável.
A
partir deste momento, e tal como anunciado há poucos momentos aos nossos
diretores, e também de acordo com nossos estatutos, o primeiro vice-presidente
do clube, Josep Maria Bartolomeu, toma o cargo de presidente imediatamente e
até o fim do mandato, em 2016, como foi acertado pela Junta Diretiva, por
unanimidade, há uns poucos minutos.
Foi uma honra servir aos
barcelonistas.
Foi um privilégio ser
presidente do Futbol Club Barcelona.
Desejo o melhor ao novo
presidente e peço aos sócios que lhe deem todo o suporte.
Agradeço sinceramente aos
empregados do clube, aos jogadores e técnicos.
E o meu agradecimento
especial vai para os diretores que me acompanharam neste viagem.
E também à minha família.
Eles, ao fim e ao cabo, são a essência da minha vida. O mais importante.
Obrigado a todos.
Viva o Barça e viva a
Catalunha."

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