Uma investigação do Ministério Público de São Paulo tenta
entender os motivos pelos quais a Portuguesa escalou Héverton irregularmente na
última rodada do Brasileiro do ano passado. Apesar de ainda não ter uma
conclusão, a promotoria estadual já tem pelo menos uma resposta: o time paulista
sabia que não poderia ter colocado o meia em campo naquele dia.
O
MP-SP agora trabalha para descobrir se alguém teve alguma vantagem ilícita para
ter descumprido o regulamento da competição. A apuração também atinge o
Flamengo, responsável por ter utilizado o lateral André Santos.
A
versão oficial da Lusa é de que não foi devidamente avisada de que não poderia
contar com o jogador. Em suas defesas no Superior Tribunal de Justiça
Desportiva (STJD) e em outras manifestações públicas, os advogados contratados
pela equipe e outros cartolas justificaram a escalação de várias formas: no
sistema informativo da CBF não constava que o atleta estava suspenso; o
advogado que esteve presente no dia do julgamento de Héverton não comunicou a
diretoria que ele havia sido condenado; e, ainda, que a CBF não publicou a
decisão do STJD em seu site oficial.
Até
o momento, ninguém havia dado como certo o fato de a Portuguesa saber que
estava cometendo um erro. Vale lembrar que no episódio o presidente do clube
era Manoel Da Lupa, que terminou seu mandato em dezembro de 2013, entregando o
cargo para Ilídio Lico, recém eleito. Portanto, a investigação do MP tem uma
ligação mais direta com a antiga diretoria do que com a nova.
Segundo
o promotor de Defesa do Consumidor, Roberto Senise, a hipótese de a Lusa ter
cometido um erro sem querer está praticamente descartada e pelo menos cinco
pessoas prestaram depoimentos nos últimos dias para ajudar a desvendar esses
mistérios. O ex-presidente do time paulista foi um deles.
"Depois
que o inquérito civil foi instaurado, verificou-se que havia questões que não
estavam muito bem esclarecidos sobre os motivos pelos quais os jogadores da
Portuguesa e do Flamengo foram colocados em campo. Por conta disso, o
Ministério Público está analisando o que levou os clubes a escalarem esses dois
jogadores apesar de saberem que eles não poderiam estar nesses jogos",
afirmou o promotor, para o ESPN.com.br.
Senise
explica também que ainda que se prove que alguém ganhou alguma coisa para
colocar os jogadores em campo, nada muda na linha adotada pelo Ministério
Público, que aponta que a CBF desrespeitou o Estatuto do Torcedor ao não
publicar a decisão do STJD que suspendeu por duas partidas o meia da Lusa.
"Pouco
importa se teve outra responsabilidade, se alguém fez isso querendo ou sem
querer. A falha em relação ao Estatuto do Torcedor não muda em nada. A
publicidade tinha que ter sido feita de qualquer jeito, independentemente de
qualquer outra coisa", explicou Senise, que disse que vai propor um acordo
na semana que vem para a CBF, para que ela suspenda a validade do julgamento e, portanto,
devolva os pontos para a Portuguesa e para a Flamengo.
Roberto
Senise fez questão de ressaltar que não abriria detalhes do processo, para não
atrapalhar a investigação. No entanto, o promotor deixou claro que o assunto é
muito grave.
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