É difícil dizer que o velho Roger Federer está de volta,
mas não há dúvidas que, nesta terça-feira, ele jogou como nos velhos tempos.
Como tem sido neste Australian Open, o suíço atuou em alto nível contra Andy
Murray, venceu com propriedade, por 3 sets a 1, parciais de 6/3, 6/4, 6/7 (6-8)
e 6/3, e vai encarar Rafael Nadal por uma vaga na decisão.
Além
da classificação para a semifinal e o reencontro com um de seus maiores rivais,
a vitória sobre o britânico tem um gosto especial para Federer. Em 2013, o
suíço, então número 2 do mundo, também havia encontrado Murray, terceiro cabeça
de chave, em Melbourne, mas na fase seguinte, e foi eliminado, com derrota em
cinco sets.
Pelo que Federer jogou, seria possível dizer que a
derrota estava engasgada. Mas as boas atuações têm sido marca do suíço nesta
jornada no Australian Open - onde ele já foi campeão quatro vezes. Murray,
finalista em três das últimas quatro edições do Grand Slam australiano, não
teve espaço. Só conseguiu esboçar reação no terceiro set. E era tarde.
Àquela altura, Federer já havia aberto 2 sets a 0 de
vantagem, e jogando com propriedade. A vitória na primeira parcial veio graças
uma quebra no quarto game, aproveitando a única chance de pontuar no serviço do
rival. Em contrapartida, o suíço não cedeu nenhum break-point, subiu bem à rede
e fez 6/3 em exatos 31 minutos de partida.
No
segundo set, novamente o suíço ganhou o segundo saque de Murray. Novamente
administrou. Novamente não cedeu nenhum break-point. Novamente sacou bem.
Novamente soube quando subir à rede. Novamente levou a parcial. E, o mais
importante em um duelo tão parelho: novamente foi Roger Federer. Resultado:
6/4, em 48 minutos.
Na
terceira parcial, veio a única quebra que Murray conseguiria no jogo inteiro.
Mas veio também uma das jogadas mais incríveis de Federer na partida. Com o
jogo empatado em 4/4, o suíço foi buscar uma bola improvável, já colada no piso
sintético da Rod Laver Arena. O britânico foi encoberto, olhou desconfiado e
acabou quebrado naquele game.
Na sequência, o atual número 6 do mundo sacou para o
jogo. Só que Murray não desistiu. O britânico foi buscar o ponto no serviço do
rival e voltou a deixar tudo igual. Com o moral alto, confirmou seu saque e
jogou a pressão para o suíço. Ele, contudo, não se incomodou com ela: deixou o
jogo igual em 6/6 e forçou a disputa do desempate.
No tie-break, Federer e Murray foram confirmando seus
saques até o 2-2, quando o suíço conseguiu a mini quebra, com uma bola para
fora do britânico. No game seguinte, o ex-melhor do mundo abriu vantagem e
chegou a ter duas chances para vencer o jogo. Desperdiçou. O atual número 4
agradeceu e fechou em 8-6.
No
quarto set, que seria o derradeiro, Federer e Murray protagonizaram um game de
mais de 20 minutos logo de início e ainda assim se mostraram incansáveis para
seguir brigando pela vitória. O suíço, mesmo com seus 32 anos, teve fôlego para
ir até o fim, conseguir uma quebra já tardia e confirmar o triunfo - apesar do
susto - em 3 horas e 20 minutos.
Na
briga pela vaga na decisão, Federer reviverá uma das maiores rivalidades
recentes do tênis. No retrospecto do duelo contra Rafael Nadal, contudo, o
suíço tem larga desvantagem. O atual líder do ranking mundial, que venceu
Grigor Dimitrov nas quartas, tem 22 vitórias em 33 confrontos, incluindo dois
triunfos na Austrália: a semi de 2012 e a final de 2009.
0 comentários:
Postar um comentário