Confira abaixo o comunicado
completo:
Venho a público me manifestar
oficialmente pois há um tremendo erro de interpretação e de entendimento no que
tange as atividades e o relacionamento entre o Sindicato dos Atletas
Profissionais de São Paulo, a minha pessoa e o Bom Senso F.C. Há 15 anos, a
minha prioridade é, e nunca deixou de ser, o meu trabalho e o meu desempenho
dentro de campo como jogador de futebol, hoje do Corinthians. Assim como fiz em
toda a minha carreira, continuo sendo um profissional dedicado e comprometido
com o meu clube, com o bom relacionamento interno e com o devido respeito à
paixão dos torcedores. Isso nunca significou que não pensarei em outras
atividades extra-campo. Já afirmei publicamente, diversas vezes, que prioridade
é bem diferente de exclusividade e eu tenho discernimento suficiente para
dividir meu tempo como atleta profissional e como cidadão comum. Aos que insistem
em me colocar na categoria de "jogue bola e esqueça o resto", pela
última vez: desistam.
Com relação ao ocorrido:
No sábado, dia 1 de fevereiro,
após a invasão do CT Joaquim Grava, era unânime por parte da diretoria, atletas
e funcionários do SCCP que o jogo deveria ser adiado pois os jogadores não se
encontravam em condições psicológicas para atuar no dia seguinte. Por volta das
13h, todos se reuniram na sala de fisioterapia e eu, como capitão da equipe,
representei o grupo diante da diretoria, de acordo com a vontade dos atletas.
Ficou decidido que seríamos liberados da concentração e retornaríamos no
domingo, às 11h da manhã, para uma reunião final, com elementos suficientes e
ânimos acalmados para tomar, em conjunto com o clube, a melhor decisão. No
domingo, uma nova reunião aconteceu, e eu, mais uma vez, pela posição de
capitão da equipe, fui o porta-voz do grupo e passei à diretoria que os
atletas, de forma unânime, haviam decidido não jogar a partida contra a Ponte
Preta.
O Presidente Mário Gobbi e o
treinador Mano Menezes, após nos apresentarem as possíveis consequências de não
irmos a campo e os impactos que o clube poderia vir a sofrer, deixaram a sala e
pediram que repensássemos uma última vez sobre a decisão final. Emerson pediu
para que Edu Gaspar e Alessandro ficassem na sala e nos ajudassem a encontrar
uma saída. Após alguns minutos de discussão, estávamos convencidos de que jogar
era a melhor decisão para o clube e, para tanto, pedimos que fosse divulgada
uma nota dizendo que o SCCP não estava de acordo com aquela partida e que
reconhecia os riscos de violência a que estávamos expostos mas que, por motivos
contratuais com a Federação Paulista e a TV Globo, iríamos a campo.
Na terça-feira, dia 4 de
fevereiro, o grupo de atletas profissionais do SCCP, divulgou uma nota oficial
que contou com a participação, o apoio e a autorização de todos os atletas do
elenco. Neste comunicado foi dito que: "Nós tornamos público o nosso apoio
à iminente paralisação proposta pelo sindicato dos atletas profissionais do
Estado de São Paulo para o fim de semana, visando melhorias nas condições de
trabalho para os empregados de todos os clubes de futebol do país". Quem
propôs a paralisação foi o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São
Paulo, não eu ou o Bom Senso F.C.
Após a divulgação da nota e por
causa do apoio dos atletas do nosso elenco à paralisação, eu, como capitão do
time, conversei diversas vezes com o Sr. Rinaldo Martorelli, presidente do
sindicato, me colocando à disposição para conversar com os capitães do São
Paulo, Palmeiras, Santos e Ponte Preta, cuja amizade e o respeito vêm de longa
data.
Edu Dracena e Roberto disseram
que fariam o possível para ajudar. Fernando Prass e Rogério Ceni se
solidarizaram com o que vivenciamos e também se colocaram à disposição. Segundo
eles, procuraram o elenco de jogadores de seus clubes e expuseram a situação.
Na opinião geral, um posicionamento mais forte do nosso clube e do nosso
presidente contra as torcidas organizadas facilitaria a adesão de uma provável
paralisação. Caso contrário, seria difícil intervir e abraçar a causa.
Em paralelo a isso, todos,
sabiamente, buscaram ajuda e suporte jurídico para saber se a greve teria
respaldo legal ou não. Uma vez detectada a dificuldade jurídica e os riscos que
os atletas de seus clubes corriam, Rogério e Prass (representando o grupo de
jogadores dos seus respectivos times) optaram por não apoiar a greve. Na quinta
feira, dia 6 de fevereiro, passei todas essas informações ao Sr. Rinaldo
Martorelli, que me comunicou que os avanços e as tratativas com o poder público
haviam sido significativas e que isso o deixava tranquilo para suspender a
proposta de paralisação, fato que ocorreu na sexta-feira, dia 7 de fevereiro.
Com relação ao Bom Senso F.C.
O Bom Senso F.C, não propôs e
não se pronunciou a respeito de nenhum desses fatos citados acima, simplesmente
porque o movimento mantém sua posição de se manifestar e discutir apenas
assuntos relacionados ao calendário do futebol brasileiro e ao fair play
financeiro, duas bandeiras (exclusivas até o presente momento) que foram o
motivo da união e do consenso de milhares de jogadores profissionais no país.
É preciso esclarecer que desde
que optei, por convicção à causa, participar do Bom Senso F.C, minhas
entrevistas, posições e atitudes têm sido alvo de grande confusão.
Para aqueles que cobram bom
senso 24 horas por dia, gostaria de esclarecer que bom senso é diferente de
perfeição. Bom senso é um conceito ligado às noções de sabedoria e de
razoabilidade para poder fazer bons julgamentos e boas escolhas. É ligado
também à ideia de sensatez e à intuição de distinguir a melhor conduta em
situações específicas. Como não há uma verdade absoluta em qualquer
conhecimento ou atividade humana, existe, para todos, o direito de errar ou de
se equivocar. Se um dia eu der um carrinho mais forte, um empurrão, um soco, se
passar no sinal vermelho ou cometer um erro na defesa do Corinthians, deixo
claro que isso nada tem a ver com as minhas convicções sobre as mudanças que
acredito serem necessárias no futebol brasileiro.
Então é hora de parar de se
apegar a argumentos frágeis para me responsabilizar ou me culpar por problemas
do futebol brasileiro como a violência no futebol, a Portuguesa, o Fluminense,
a audiência da TV, o nível dos jogos, etc... Porém, se os atletas do interior
ficarem desempregados ao fim dos estaduais e não receberem seus contratos
integralmente, saibam que continuarei participando de práticas que lutem por
melhorias para esses caras. E se alguns clubes jogarem apenas 15 partidas,
fecharem suas portas no mês de maio e nada puderem fazer porque quem está no
poder não dá a mínima para eles, saibam que continuarei participando de
práticas que busquem uma solução para este problema, mesmo que isso incomode
muita gente, e mesmo que venha me causando consequências tão desagradáveis.
Deixo claro que não tenho
absolutamente NENHUM interesse político neste movimento. Não sou aliado,
manipulado e muito menos fantoche de ninguém, e também não apoio nenhum
possível candidato à presidência da CBF ou de onde for. Não estou prestes a me
candidatar, nem a me filiar a um partido político. Apesar de estar sendo alvo
de difamações ultimamente, das quais estou checando minhas possibilidades em
nível judicial, continuarei fazendo o que julgar coerente com as minhas
convicções nos meus períodos de folga. Espero ter esclarecido os fatos para que
os interessados possam repensar seus conceitos e tirar suas próprias
conclusões. Eu amo o futebol e apenas isso basta para explicar a minha luta e
os meus sonhos.
"O que me preocupa não é o
grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter... O que me
preocupa é o silencio dos bons" (Martin L. King)
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