Um mês após um texto falso,
vinculado a revista France Football ter circulado na internet, o site de outra
revista francesa resolveu detonar o Brasil, de verdade
Quem acreditou no texto que circulou pelas redes sociais,
e foi creditada a revista France Football, deve estar feliz. O site da revista
esportiva francesa “So Foot” publicou uma longa matéria sobre a Copa do Mundo
do Brasil e claro detonou o país e a organização do evento.
Viva a Bagunça Brasileira!" (Vive Le Bordel
Brésilien!). Logo no título ficou claro qual o teor da reportagem. Em francês,
a palavra bordel serve tanto para designar casas de prostituição quanto uma
grande bagunça.
De acordo com a matéria as cidades-sede da Copa em três
categorias: s que realmente deveriam estar sediando a Copa e que valem a
viagem, mas que nem por isso estão livres de problemas (Les villes où ça
devrait le faire), as sedes em que inevitavelmente a Copa será uma bagunça
("Les villes dans lesquelles ce sera forcément le bordel"), e aquelas
onde o melhor mesmo é deixar para ver os jogos pela televisão ("Les villes
dans lesquelles on verra peut-être un match, mais à la télé de
préférence").
Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre estão
no primeiro grupo. Essas sedes são listadas como tendo apenas pequenos
problemas como falhas de internet, problemas no telão em Porto Alegre ou o alto
custo para a reformado Estádio Mané Garrincha (o mais caro dos utilizados na
Copa), que custou R$ 1,5milhão, temz capacidade para 70 mil pessoas, mas
Brasília não tem times relevantes no futebol nacional.
São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Recife e Salvador estão
no grupo 2. O Aeroporto do Galeão (RJ) é descrito como "indigno de uma
capital turística": "Edifícios degradados, pistas saturadas nas altas
estações e paralisação das atividades em cada chuva forte prometem grandes
doses de diversão", ironiza a publicação.
Sobre
São Paulo, a reportagem afirma ser a cidade "irmã da Cidade do México e
prima do Cairo (capital do Egito)", centros urbanos conhecidos
mundialmente pelo trânsito caótico. Já Salvador teria um trânsito difícil na
hora do rush. "Considerando que o estádio [Arena Fonte Nova] fica em uma
região central da cidade, vai haver sofrimento".
Finalmente, no grupo das cidades em que seria melhor ver
os jogos pela TV, estão Cuiabá, Manaus e Curitiba. O aeroporto da capital
mato-grossense é descrito como "um campo de barro". "[O
aeroporto] é do tamanho de uma cozinha, mas há que um lindo papagaio pintado na
parede. Nenhuma grande nação vai jogar em Cuiabá. E depois dizem que o sorteio
é aleatório". Já Curitiba é tratada como a "grande emoção
pré-Mundial", com a dúvida até o último minuto sobre se o estádio estará
ou não pronto a tempo.
A
reportagem critica não só a situação dos estádios, aeroportos e infraestrutura
em todas as 12 cidades-sede brasileiras. Sobrou também para a Fifa, para o seu
presidente, Joseph Blatter (descrito como alguém que, no Brasil, nunca havia
colocado os pés fora do Copacabana Palace), e para o secretário-geral da
entidade, Jérôme Valcke. A revista afirma que o turista que vier à Copa vai
encontrar: filas em todos os lugares, voos atrasados chegando às cidades dos
jogos após o término das partidas e torcedores enfurecidos por perderem o
espetáculo.
O
texto continua: "Nenhuma cidade-sede tem capacidade de entregar a tempo o
trio de obras 'estádio + aeroportos + obras de mobilidade urbana'. No caso dos
aeroportos, os processos de licitação das obras só foram lançados após as
eleições de 2010. Quanto à mobilidade urbana... não se moderniza um país em
seis meses, especialmente um país como o Brasil. E por mobilidade urbana
entende-se os meios mais básicos de transporte: vias de acesso a locais
turísticos, estradas, corredores de ônibus, metrô e trens urbanos etc. Logo,
serão os seus pés os que farão a maior parte do trabalho."
De
acordo com a reportagem, parte da culpa para que se tenha chegado à marca dos
100 dias para o início da Copa na situação em que se chegou é também da
entidade que comanda o futebol mundial. "A Fifa, do seu lado, é
prisioneira de um Brasil com quem ela briga/late/chicoteia a cada semana, como
se tivesse tratando com uma criança, com um sentimento vago de que é tarde
demais".
Sobrou
até para o "jeitinho brasileiro": "Joseph Blatter, então, agora
se mostra chocado: 'Nenhum país teve tanto tempo para se preparar quanto o
Brasil', e ele está certo. Errado ele estava em 2007 [quando o Brasil foi
escolhido como sede da Copa], ao impor ao país um "padrão Fifa" que
estava distante demais de sua realidade, e que culturalmente não sabe dizer
não. Mas sabe dizer, porém, quando já tarde demais, "desculpe, mas teremos
que fazer alguns arranjos".
A
reportagem foi publicada no dia 3 de março. No dia seguinte, a revista publicou
novo texto sobre o Brasil e a Copa, desta vez destacando as manifestações que
varreram o país em junho do ano passado, durante a Copa das Confederações,
apontando que o povo brasileiro está insatisfeito com o alto custo da
preparação do país para a Copa, majoritariamente custeados pelos cofres
públicos.

0 comentários:
Postar um comentário