Baixinho atacou fenômeno e disse que
estão em lados opostos nas questões que envolvem a Copa do Mundo
A
distribuição prometida e não cumprida de ingressos da Copa do Mundo de 2014
para portadores de necessidades especiais continua rendendo alfinetadas entre
dois dos maiores atacantes da história do Brasil. Agora foi a vez de Romário
fazer a tréplica e enviar uma carta a Ronaldo criticando-o pela organização do
Mundial não ter doado 32 mil ingressos aos deficientes.
O Baixinho não chegou a xingar o
ex-parceiro de ataque da Seleção, como fez recentemente com o presidente da
Fifa, Joseph Blatter, mas deixou claro:
“Especificamente em relação à Copa
do Mundo, estamos em lados opostos”.
O deputado federal pelo PSB-RJ ainda
acrescentou que existe o requerimento para que o presidente da CBF, José Maria
Marin, e um membro do COL possam ir à Comissão de Esporte de Câmara esclarecer
a situação.
“Deixo
bem claro que não tenho o objetivo de jogar você contra nada, nem ninguém.
Estou apenas te lembrando de um compromisso assumido” completou o Baixinho.
Segunda-feira, ao rebater um ataque de
Romário nas redes sociais, Ronaldo disse que o Baixinho era
"oportunista" por frequentemente criticá-lo.
CONFIRA A CARTA DE ROMÁRIO A RONALDO
Ronaldo,
É o seguinte, te respeito como ídolo, como boa parte do povo brasileiro.
Suas conquistas são inegáveis, fruto de muito trabalho, superação e bastante
suor. Assim como as minhas. Mas como cidadãos brasileiros, especificamente em
relação à Copa do Mundo, estamos em lados opostos.
Em 23 de dezembro de 2011, o COL convocou a imprensa e, ao meu lado e de
mais quatro deputados federais da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com
Deficiência – Mara Gabrilli, Rosinha da Adefal, Luiz Henrique Mandetta, Otávio
Leite –, você anunciou a doação de 32 mil ingressos para este segmento da
sociedade. O que você disse no evento está registrado: “O Romário não tem que
agradecer nada. Somos nós é que temos que agradecê-lo por nos apresentar um
projeto desses e nos dar a oportunidade de fazer uma Copa melhor”.
Somente essas palavras, já o responsabilizam junto com presidente da CBF
por esta doação. É muito negativo você vir a público agora afirmar que não tem
responsabilidade sobre este tema. O descumprimento desta dívida não afeta a
mim, nem aos outros deputados, mas certamente tira a oportunidade de milhares
de pessoas que vivem à margem da sociedade – tanto por preconceito, como por
pobreza – de realizar um sonho.
Deixo bem claro que não tenho o objetivo de jogar você contra nada, nem
ninguém. Estou apenas te lembrando de um compromisso assumido.
Sobre suas acusações de eu ser ignorante ou oportunista, vou relevar.
Afinal, deve ter sido um momento de empolgação ou raiva da pessoa que escreveu
o texto para você.
Outra coisa, você
tem dito que o que penso não lhe importa. Não vejo como ser diferente, porque o
que penso, como ajo e o que falo sempre tem o objetivo de mostrar para todos,
da minha forma, a nossa realidade. Agora, se você acha normal gastar mais de R$
1 bilhão na reforma de um estádio como o Maracanã, enquanto se enxerga ao redor
deste mesmo estádio, hospitais sucateados, escolas precárias e transporte
público de má qualidade, segurança temerosa e acessibilidade zero, realmente,
você não deve se importa nem um pouco com o que eu digo. Objetivos diferentes.
Vou além, segundo seu amigo Jerome Valcke, hoje secretário-geral da
FIFA, apesar dos gastos absurdos e esforço que nosso país vem fazendo, esta
Copa tem tudo para ser a pior da história. Algo muito diferente do que você
mesmo pensa. Não é mesmo?
Como representante do COL acredito que você já saiba que o orçamento da
Copa começou em R$ 23,5 bilhões, já está em mais de R$ 26 bilhões, uma conta
que ainda não fechou. Para piorar, apenas 5, das 41 obras de mobilidade urbana
foram concluídas, de acordo com levantamentos recentes.
Em 2007, em Zurique, Suíça (sede da FIFA) ao lado de Parreira, Paulo
Coelho e Ricardo Teixeira, eu afirmei e, principalmente, acreditei assim como a
maioria dos brasileiros que esta Copa seria a melhor Copa de todos os tempos.
Naquela época, a informação que tínhamos era que a Copa seria 90% financiada
com dinheiro privado. Hoje, se sabe que 98% do dinheiro da Copa é público, ou
seja, daquelas pessoas que pagam seus impostos e o pior, a maioria não
conseguirá assistir a um jogo sequer. Há três anos, desde que assumi meu
mandato de deputado federal, tenho posições e compromissos diferentes. Não é
com você, não é com COL, com a FIFA, CBF, ou Governo. Meu único compromisso é
com a população brasileira. Tenho feito a minha parte, cobrar, denunciar e
legislar. E modéstia a parte, tenho feito muito bem.
Agora aos fatos. Já existe um requerimento (número 9/2014), aprovado dia
12 de março na Comissão de Esporte, que convida o presidente da Confederação
Brasileira de Futebol, José Maria Marin, e um membro do COL, no caso você, para
esclarecer como será feita a doação.
Então, como foi sugerido, educadamente, aguardo a sua presença e a do
presidente da CBF na Câmara dos Deputados para debater este tema. Acredito ser
este o foro ideal para darmos satisfação à população, principalmente, para as
pessoas com deficiência de baixa renda.
Valeu!

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