Presidentes de Flamengo, Palmeiras e
Cruzeiro estão enfrentando torcidas organizadas e a reação tem sido alvo de
protestos violentos
Enfrentar o poder das torcidas organizadas tem um preço
caro, e as diretorias de grandes times brasileiros que ousaram comprar a briga
estão descobrindo isso por experiência própria.
O Palmeiras é um dos que virou as costas para estes
grupos. Na última quinta-feira, o presidente alviverde, Paulo Nobre, acordou
lendo uma faixa esticada nas proximidades da sede do clube o atacando -
"Paulo Nobre, o Palmeiras é gigante comparado ao seu ego!", lia-se -
e foi almoçar com a notícia de que indivíduos destruíram a sede do programa de sócio-torcedor
alviverde ao serem impedidos de comprar ingressos para o clássico do
próximo domingo, contra o Santos, de forma irregular.
Não há confirmação de que os responsáveis pelo crime
fazem parte de organizadas, mas um funcionário que prestava serviços ao Palmeiras
no momento da confusão revelou que pelas carteirinhas dos sócios presentes no
local usadas para a comercialização de entradas era possível identificar que
alguns deles eram da Mancha Alviverde. A polícia tem indícios que reforçam esta tese.
Os conflitos entre torcedores e diretorias de clubes não
são exclusividade do estado de São Paulo. No Rio de Janeiro, o presidente do
Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, deixou de dar ingressos às torcidas desde
que assumiu o cargo, em 2013.
Seu
filho e ele já foram interpelados pessoalmente por integrantes das facções, que
também reclamam do alto preço das entradas em jogos da equipe. O filho de
Bandeira de Mello passou a andar com seguranças quando recebeu ameaças na porta
do Estádio do Maracanã, antes de um Flamengo x Botafogo, no Campeonato Carioca
deste ano.
Gilvan
de Pinho Tavares, mandatário do Cruzeiro, é o cartola que mais longe foi na
empreitada contra a violência das arquibancadas. Dispostos a acabar com o
prejuízo financeiro causado por brigas entre fãs do seu próprio time, o que
provocava a perda de mandos de campo e diminuía a receita com bilheteria, os
mineiros não só extinguiram benefícios com ingressos e despesas de viagens como
proibiram as organizadas de usar o símbolo celeste em camisas, bonés etc.
"Quando começamos nosso trabalho de batalhar pelos
sócios-torcedores, dissemos que não é o clube que tem de batalhar pela torcida.
Falamos para eles entrarem no programa Sócio do Futebol, temos categorias com
valores baixos e conseguimos que muitos entrassem no programa de sócio. Mas
vários começaram a me ameaçar, tive de trocar de celular e de telefone
fixo", declarou, anteriormente, Tavares.
Mais
tarde, o tom dos insatisfeitos mudou. Mas a postura do dirigente, não.
"Estou recebendo recados e recebi um ofício assinado pelos presidentes das
torcidas ditas organizadas pedindo pra gente reconsiderar, que agora não vão
mais acontecer estes fatos -conflitos violentos nos estádios -, que eles não
vão mais permitir. Se eles falam que não vão permitir agora, é porque estavam
permitindo antes."
Trocas
de socos envolvendo pessoas com o uniforme da mesma equipe também são
recorrentes no Grêmio, cujo presidente, Fábio Koff, substituiu uma direção
bastante condescendente com tais facções. Segundo matéria do jornal 'Zero
Hora', durante a gestão anterior, de Paulo Odone, R$ 1,1 milhão foi repassado para
viagens de torcedores organizados.
Paulo Nobre, mandatário do Palmeiras, decidiu dar fim aos
subsídios no Palestra Itália depois que o meia Valdivia foi alvo de agressões
de integrantes da Mancha Alviverde em aeroporto em Buenos Aires, na volta para
casa após partida da Copa Libertadores de 2013, na Argentina.
Um dia depois do caso de violência na Argentina, atletas do futsal do Palmeiras entravam em quadra com o uniforme da Mancha em um torneio no Interior de São Paulo. A diretoria do clube proibiu a parceria após tomar conhecimento do fato, através da imprensa.
Um dia depois do caso de violência na Argentina, atletas do futsal do Palmeiras entravam em quadra com o uniforme da Mancha em um torneio no Interior de São Paulo. A diretoria do clube proibiu a parceria após tomar conhecimento do fato, através da imprensa.
A
relação entre cartolas e organizadas no rival Corinthians ainda é bastante
próxima, mas o dono do poder no Alvinegro, Mario Gobbi, tornou-se inimigo de
setores da arquibancada só de prometer rompimento com os grupos a que pertencem
os invasores que depredaram o centro de treinamento do clube, em fevereiro
deste ano.

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