Técnico Argel Fucks e dirigentes da
Lusa também foram condenados por causa dos ocorridos na primeira rodada da
série B
De novo, julgada. E,
de novo, punida. Depois do caso Heverton em 2013, a Portuguesa voltou ao
Superior Tribunal de Justiça Desportiva nesta quarta-feira, e acabou
penalizada, por unanimidade, com a perda de três pontos e multa de R$ 50 mil
pela Quinta Comissão Disciplinar, no Rio de Janeiro. O clube poderia ter sido
excluído da competição, mas a pena foi descartada. O motivo foi o abandono da
partida de estreia na Série B do Brasileiro, aos 17 minutos do primeiro tempo,
no dia 18 de abril, contra o Joinville. O clube catarinense foi declarado
vencedor do jogo, com triunfo de 3 a 0, pelo tribunal.
O clube alegou que cumpriu a decisão de uma liminar obtida por um
torcedor que obrigava a CBF a incluir a Portuguesa na Série A. A decisão não é
definitiva e o clube paulista pode recorrer ao Pleno do STJD. Também citados no
processo, o técnico Argel Fucks acabou punido com quatro jogos de suspensão e o
presidente do clube, Ilídio Lico, pegou gancho de 240 dias, além de multa de R$
80 mil. Já Marcos Rogério Lico, dirigente da Portuguesa e filho do presidente,
acabou punido com 240 dias de suspensão e multa de R$ 100 mil.
Antes do início do julgamento, o advogado Osvaldo Sestário, advogado da
própria Lusa em 2013 no julgamento de Heverton, pediu ao tribunal o ingresso de
outros clubes como partes interessadas, como já fizera o Joinville: Paraná,
Luverdense, Icasa, Atlético-GO, Oeste, Santa Cruz e ABC. Todos os pedidos, no
entanto, foram negados.
A Portuguesa fora denunciada em dois artigos do Código Brasileiro de
Justiça Desportiva (CBJD): o 205 (impedir o prosseguimento da partida que
estiver disputando, por insuficiência numérica intencional de seus atletas ou
por qualquer outra forma) e o 231 (pleitear, antes de esgotadas todas as
instâncias da Justiça Desportiva, matéria referente à disciplina de competições
perante o Poder Judiciário, ou beneficiar-se de medidas obtidas pelos mesmos
meios por terceiro).
As penas tinham previsão de perda de pontos para o adversário, multa de
R$ 100 mil e até mesmo exclusão do campeonato. De início, a Procuradoria
apresentou prova em vídeo da partida, mas sem áudio. A Portuguesa, representada
pelo , requisitou a utilização da internet, do site Youtube, para acessar um
vídeo e utilizá-lo como prova de defesa.
O presidente da Quinta
Comissão acatou e um laptop foi levado até o tribunal. Ao redor dele, todos
auditores e os representantes dos clubes se aglomeraram para observar o fato.
Com a demora em carregar o vídeo, a Portuguesa desistiu da prova. O primeiro a
ser chamado a depor foi o presidente da Portuguesa, Ilídio Lico. Questionado
duramente pelso auditores se fora intimado de maneira oficial a tirar o time de
cammpo, ele disse que não. E explicou que tomou a decisão motivado por um
"terror".
"Fernando Guimarães
ligou para mim dizendo que o autor faria uma queixa-crime. Fernando Guimarães
faz parte do conselho da Portuguesa. É da minha confiança. Ele me disse que eu
seria penalizado, até preso. Isso foi um terror", disse Ilídio Lico.
Reiterando que buscava
respeitar a lei, Ilídio Lico fez um pedido ao tribunal e até colocou o cargo à
disposição.
"A Portuguesa não
pode mais ser prejudicada. Se tiver de entregar o cargo, eu até entrego. Posso
ser penalizado. Mas não o clube. Jamais quis enfrentar a CBF, a Federação
Paulista. Ninguém. Respeito José Maria Marin, doutor Marco Polo (del Nero).
Fiquei em pânico por todo o terror que foi feito", completou Ilídio Lico.
'Ilegal e vergonhoso', diz
Argel sobre abandono
Em seguida, o filho do
presidente, Marcos Rogério Lico, foi chamado ao tribunal para contar a versão
dos fatos. Marcos garantiu que a Portuguesa deixou a partida por determinação
do delegado do jogo, diante da apresentação da liminar. Argel Fucks, técnico da
Portuguesa, foi chamado a seguir. Ele garantiu apenas cumprir ordens.
"A partida foi
interrompida pelo delegado. As imagens são claras. Pergunto para ele se é para
parar o jogo. Ele diz que sim. Se o delegado não entrasse nós estaríamos na
partida. Pela minha decisão a gente teria jogado o jogo. Mas sou funcionário do
clube e acato ordens. A gente não ia viajar dois dias para chegar lá e não
jogar", afirmou Argel Fucks.
O técnico ainda
complementou que ele e os jogadores questionaram a diretoria da Portuguesa
sobre a saída de campo e tentaram demovê-la da ideia, sem sucesso. Perguntado
se tinha certeza que sua decisão de deixar o campo era correta, Argel foi
enfático:
"Tenho certeza de que
foi ilegal. E vergonhoso", vociferou o técnico.
O procurador Alessandro
Kishino pediu a punição da Portuguesa, de Argel e dos dirigentes do clube
argumentando que os depoimentos foram claramente contraditórios. Segundo
Kishino, o abandono da Portuguesa de campo foi combinado previamente. Neste
momento, Ilídio Lico e Argel balançaram a cabeça negativamente, mostrando
contrariedade com a acusação.
Advogado da Portuguesa,
José Luiz Ferreira de Almeida negou qualquer combinação prévia para abandono em
campo, lembrou que a CBF fora informada sobre a liminar desde o dia 11 de
abril, uma semana antes da partida, e pediu a absolvição de todas as partes.
Mas não houve jeito. Mais uma vez, a Portuguesa deixou o STJD derrotada.

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