Brasileiro não perdia há nove anos e
foi nocauteado no último round. País tem apenas José Aldo como campeão no UFC
O cinturão dos pesos galos do UFC tem um novo dono.
Depois de nove anos sem saber o que é perder, o brasileiro Renan Barão foi
derrotado na noite deste sábado, no evento principal do UFC 172, e perdeu seu
título. O novo rei da categoria é TJ Dillashaw, que surpreendeu e saiu com a
vitória por nocaute.
Amplo
favorito na bolsa de apostas de Las Vegas, palco de sua terceira defesa de
cinturão (duas como campeão interino), Barão foi amplamente dominado pelo
desafiante, que sequer figurava como um dos principais nomes da categoria.
Depois dessa noite, contudo, Dillashaw provou que merece respeito.
Desde
o primeiro round, o norte-americano mostrou que seria um duro desafio para
Barão, que só havia sido derrotado no MMA em sua primeira luta como
profissional, em abril de 2005. Quando a mão direita de Dillashaw encontrou o
rosto do brasileiro, já no fim do assalto, o nocaute só não veio por milagre.
A
sobrevida de Barão nos primeiros cinco minutos de combate até poderiam indicar
aquilo que alguns chamam de sorte de campeão. Mas não neste sábado. Dillashaw
seguiu perfeito, sem deixar o brasileiro ser contundente nos ataques, se
movimentando bem e, claro, golpeando, minando o jogo do campeão.
No
terceiro assalto, mais uma vez, Barão flertou com a sensação de ser nocauteado
pela primeira vez - sua única derrota viera por decisão dos jurados. Mais uma
vez na reta final do round, Dillashaw foi duro nos golpes, mas não finalizou o
combate. Àquela altura, porém, tudo já parecia questão de tempo.
O quarto round veio e, com ele, a certeza que brasileiro
teria dificuldades para reverter a situação. A movimentação de Dillashaw deixou
Barão perdido, assim como seu cinturão seria perdido mais tarde: aos 2min26s do
último assalto, a mão esquerda do desafiante entrou em cheio e derrubou o
campeão.
Mais do que derrubar Barão, o triunfo de Dillashaw faz com
que o Brasil fique com apenas um cinturão no UFC, com José Aldo entre os penas.
Para o agora ex-campeão dos galos, contudo, a situação é passageira. "Foi
o dia do Dillashaw, mas eu vou voltar. Pode anotar. Vou recuperar o que é
meu", disse.
Em julho de 2012, os dois países disputavam, cinturão a
cinturão, o domínio no UFC. Nas sete categorias do evento, eram quatro campeões
para o Brasil - além de Aldo, Renan Barão (interino), Anderson Silva e Júnior
Cigano - e três para os EUA - Ben Henderson, Carlos Condit (interino) e Jon
Jones.
Passados dois anos, em maio de 2014, o Brasil viu três de
seus campeões caírem e deixarem seus títulos nas mãos de lutadores
estadunidenses.
Para piorar a desvantagem brasileira, no final de 2012,
ainda surgiram mais duas novas categorias no UFC, ambas dominadas por
norte-americanos. No peso mosca, o campeão desde setembro daquele ano é
Demetrious Johnson e, no peso galo feminino, o título é de Ronda Rousey desde
dezembro.
Para
tentar recuperar a condição de protagonista no UFC, o Brasil tem duas apostas.
Entre os médios, Lyoto Machida tem luta marcada pelo título no UFC 175, contra
Chris Weidman, o norte-americano que tirou o cinturão de Anderson Silva em
julho de 2013.
Outro
brasileiro que tem garantida a chance pelo cinturão é o peso-pesado Fabrício
Werdum, que vai desafiar o atual campeão Cain Velasquez, que desbancou Cigano,
em dezembro de 2012. Os dois lutadores serão técnicos do The Ultimate Fighter,
reality show do UFC, antes de se enfrentarem.
Entre os pesos Galos, Raphael Assunção vem de sequência
de seis vitórias na categoria e deve receber logo uma chance de desafiar
Dillashaw e recolocar o país que viu o nascimento do MMA como protagonista da
modalidade.

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