Apensar do jogador ter sido
negociado apenas em 2014, clube colocou venda ainda no balanço de 2013 para
fechar contas no azul
Reportagem de Camila Mattoso do
ESPN.com.br
Foi na
semana de 20 de janeiro de 2014 que Edenilson recebeu a notícia de que sua
passagem de quase três anos no Corinthians havia chegado ao fim. Naquele dia, o
lateral recebeu uma proposta da Udinese (ITA), onde continua até hoje. Mas no
balanço do clube apresentado recentemente, a história não foi contada dessa
forma. O alvinegro registrou a transação de R$ 11,2 milhões em 2013, o que lhe
garantiu um superávit de R$ 1 milhão.
No Parque São Jorge, entre
conselheiros, a medida é vista como uma manobra da diretoria para terminar o
período com um saldo positivo. Auditores procurados pela reportagem também
acreditam que há algo estranho no relatório, mas não quiseram dar entrevistas
sob a justificativa de seguirem a ética da categoria.
Entenda o que aconteceu
No dia 6 de janeiro de
2014, o então diretor de futebol Roberto de Andrade afirmou em coletiva de
imprensa que o Corinthians estava aguardando uma proposta oficial da Udinese para
poder liberar Edenilson. A conversa da saída do lateral começou em dezembro de
2013.
No dia 16 de janeiro,
Ronaldo Ximenes, substituto de Andrade, afirmou também em coletiva que o
jogador só seria liberado quando os papeis fossem assinados e que, até aquele
momento, não havia ainda nada acertado.
No dia 20 de janeiro,
enfim, a proposta chegou e Edenilson foi liberado para viajar para fazer exames
na Itália e assinar seu novo contrato.
Pouco dias depois de ter
começado a treinar em seu novo time, o atleta teve conhecimento de que não
poderia jogar na temporada, pois o clube havia excedido o número de
estrangeiros na equipe. Foi, então, que se abriu a possibilidade de o lateral
voltar por empréstimo ao alvinegro, o que acabou não dando certo.
Depois de uma matéria no
Blog do Paulinho, que questionava quem havia comprado os direitos econômicos do
lateral, o Corinthians se pronunciou por meio de uma nota em seu site no dia 13
de fevereiro dando detalhes sobre o negócio. Entre outras coisas, o clube dizia
que o valor de 3,5 milhões de euros ainda seria repassado aos cofres do Parque
São Jorge, que depois faria o pagamento dos outros 60% dos direitos econômicos
aos respectivos donos.
Segundo o balanço, no
entanto, o alvinegro teve uma receita de cerca de R$ 69 milhões em 2013 com
venda de jogadores. Entre esse montante está os R$11,2 milhões de Edenilson.
Questionado pela reportagem, o diretor financeiro do clube, Raul Corrêa da
Silva, se limitou a dizer que o relatório estava correto.
"Ele foi vendido em
2013, se não, não estaria no balanço", afirmou.
Ainda assim, o ESPN.com.br procurou por duas vezes a
assessoria de imprensa do clube, pedindo esclarecimentos sobre o assunto, mas
nada foi respondido até a publicação desta matéria. A reportagem ainda
questionou o fato de não haver detalhes das transações, como pode ser
encontrado em balanços de outros clubes. O São Paulo, por exemplo, coloca
quanto recebeu, quanto pagou de comissão e quanto repassou a terceiros.
Segundo o especialista em
gestão desportiva Pedro Trengrouse, a falta de transparência no caso atrapalha
o entendimento das contas corintianas.
"Vários clubes não
cumprem as normas. Você consegue ver assim que cada um coloca do jeito que quer
as coisas no balanço. Isso compromete a transparência. É impossível eu te falar
mais coisas sobre isso diante do que tem no balanço. Uma coisa é fato, está
confuso", afirmou o professor da FGV.
A reportagem também falou
com a assessoria de imprensa de Edenilson que afirmou que a venda aconteceu em
2014.
Despesas
Assim como não há detalhes
de como o Corinthians conseguiu arrecadar os R$ 69 milhões com a venda de
jogadores, não há informações das despesas com aquisição de atletas. Fica
impossível, dessa forma, dizer se o clube já repassou o dinheiro dos terceiros,
já que ele só era dono de 40% dos direitos econômicos de Edenilson, ficando com
apenas R$ 4,4 milhões do valor total.
Segundo o balanço, o time
do Parque São Jorge gastou pouco mais de R$ 15 milhões em 2013 com
contratações, sendo esse o valor de uma única parcela de Alexandre Pato, das
três combinadas com o Milan (uma por ano).
Se o lateral não tivesse
entrado no relatório de 2013, o Corinthians teria terminado o ano com uma
dívida dívida de pelo menos R$ 3 milhões, que pode chegar até R$ 10 milhões se
não tiver contabilizado o repasse dos direitos econômicos do ex-jogador.
A reportagem também fez
essa pergunta ao Corinthians e não obteve resposta.

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