Vitória portuguesa por 2 a 1 não foi
suficiente para classificar os patrícios. Alemanha e Estados Unidos foram para
as oitavas de final
Aos cinco minutos, Cristiano Ronaldo desce pela direita,
ameaça cruzar e surpreende ao mandar direto para o gol. O goleiro Fatawu Dauda
até esboça uma reação, mas não resta alternativa senão ficar na torcida para
que a bola não entrasse nas redes. Ela não entrou: ficou no travessão.
De
certa forma, o lance sintetiza o que foi essa Copa para o craque do Real
Madrid.
Sempre
que buscou um companheiro ao lado, o melhor jogador do mundo viu um oásis de
talento - agravado pelas lesões que, nesta quinta-feira, provocaram cinco
desfalques. Não explica totalmente, mas é um caminho para se compreender por
que Portugal não conseguiu o milagre esperado no Estádio Nacional, em Brasília,
venceu uma Gana afundada em crise por apenas 2 a 1 e se despediu sob vaias do
Mundial.
Os
comandados de Paulo Bento ao menos conseguiram evitar com a vitória aquela que
poderia ser a pior campanha da história do time, superando as eliminações de
1986 e 2002.
Os
portugueses saíram na frente ainda no primeiro tempo, aos 31 minutos, em
cruzamento de Miguel Veloso e infelicidade do zagueiro ganês John Boye, que, ao
tentar cortar, mandou para trás contra as próprias redes. Na volta do
intervalo, aos 12, Asamoah lançou de três dedos na área para Gyan deixar tudo
igual. Ronaldo aproveitou falha da defesa africana para garantir os três
pontos.
Poderia
ter sido diferente.
Somente
nos 45 minutos iniciais, Cristiano Ronaldo, sozinho, conseguiu criar três
excelentes chances - além do chute no travessão, uma cabeçada parada à
queima-roupa em defesa fantástica de Dauda e uma cobrança de falta também
interceptada em dois tempos pelo goleiro.
Ao
contrário do que se esperava, não foi um jogo de somente uma equipe - mesmo
após todas as confusões que envolveram a seleção ganesa e a chegada em Brasília
da premiação de US$ 3 milhões (R$ 6,7 milhões) pela classificação para o
Mundial, as desavenças internas com Muntari e Boateng e o cenário de desolação
depois dos primeiros resultados.
Os
africanos chegavam, sobretudo, com Harrison Afful pela direita nos primeiros
minutos.
Recuperada
da bola na trave aos cinco, foi assim que Gana respondeu em seguida em chute
bloqueado do lateral dentro da área.
Praticamente
na sequência, Portugal respondeu em contra-ataque e falta de Badu em cima de
João Moutinho na meia-lua. Cristiano Ronaldo se apresentou para a cobrança, mas
chutou fraco demais, facilitando a vida de Dauda, que, ainda assim, preferiu
não encaixar a bola.
Aos
17 minutos, a melhor chance dos comandados de Paulo Bento na etapa inicial. Em
uma rara descida pela direita, João Pereira se apresenta e cruza bem para
Ronaldo. O craque cabeceia com força, mas encontra novamente com Dauda bem
posicionado para mandar para escanteio. O camisa 16 de Gana não se contém na
comemoração e vibra com a torcida, arrancando aplausos.
Gana
não se continha atrás. Em cobrança de falta de Atsu, Asamoah Gyan apareceu pela
primeira vez para cabecear com perigo.
Portugal,
enfim, tirou o zero do placar aos 33. João Moutinho dominou na intermediária,
fez cinco embaixadinhas e abriu com Miguel Veloso na esquerda. O volante que
também faz o papel de lateral cruzou à meia altura e viu John Boye se
atrapalhar todo e fazer contra a própria meta.
Na
volta dos vestiários, Gana veio ainda mais agressiva e conseguiu levar perigo
com Gyan, em chute da entrada da área que passou perto.Ruben Amorin e Ronaldo
do lado português e Atsu do lado ganês ainda tentaram mudar o placar antes do
intervalo, porém, não conseguiram.
O
atacante, que se tornou contra a Alemanha o primeiro africano a balançar as
redes em três Mundiais diferentes, não passou batido também no Estádio
Nacional. Aos 12 minutos, para o desespero de Cristiando Ronaldo e companhia,
ele deixou tudo igual aproveitando cruzamento de três dedos do excelente Kwadwo
Asamoah para cabecear e empatar em 1 a 1 o confronto.
Waris,
que substituía Botateng, ainda teve excelente oportunidade em bola na área de
Gyan, mas mandou para fora.
Aos
35 minutos, Mensah e Dauda se atrapalham na retaguarda dos africanos, Cristiano
Ronaldo aproveita e põe os portugueses novamente em vantagem. Nessa altura, não
valia mais de nada.
Com
a vitória magra, Portugal chega aos quatro pontos, empata com os Estados
Unidos, mas perde a segunda vaga no saldo de gols. A Alemanha, que venceu os
americanos por 1 a 0 na Arena Pernambuco, no Recife, avança em primeiro lugar
com nove pontos e 100% de aproveitamento. Gana fica com a lanterna, com apenas um
somado.
"Foi
um jogo em que tínhamos de ganhar e ganhamos. Criamos diversas oportunidades e
não conseguimos concretizar. Sabíamos que tínhamos a chance de marcar três gols
se a Alemanha ganhasse por dois, mas não conseguimos. Demos o nosso melhor.
Sabemos que era complicado", afirmou Cristiano Ronaldo ao término da
partida.
"Fica
no final a impressão de que era possível fazer mais. Pela quantidade de chances
que tivemos, merecíamos mais. Temos que seguir. Tentamos dar o nosso melhor e
não deu", completou.
Ao
contrário do que aconteceu na rodada anterior, quando enfrentou o exame
antidoping por duas horas e ainda conversou com a imprensa ao final, Ronaldo
deixou rapidamente o estádio dessa vez.
"Hoje
são os outros que falam, não sou eu", disse ao cruzar a zona mista.
Fim
da Copa para o melhor do mundo.

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