Spurs fechou a série por 4 a 1, viu
o jovem Kawhi Leonard ser eleito o MVP das Finais e ainda se vingou da derrota
do ano passado
Um dos ditados mais populares diz que ‘a vingança é um
prato que se come frio'. Na NBA, ela veio em um ano. Na noite deste domingo, o
San Antonio Spurs reverteu a derrota da decisão do ano passado para o Miami
Heat e conquistou pela quinta vez a liga de basquete mais famosa do planeta.
Vitória por 104 a 87, no AT&T Center, 4 a 1 na série e mais um anel para a
coleção dos Spurs.
Fora a vitória da redenção diante de LeBron James e
companhia, a decisão deste domingo serviu para ‘reabilitar' o pivô brasileiro
Tiago Splitter, o primeiro atleta do país a obter um anel do grande campeonato
de basquete do planeta.
Marcado
pelo toco sofrido em jogada épica de LeBron, Splitter foi quem rejeitou uma
estrela desta vez. Com uma jogada defensiva fantástica, bloqueou Dwayne Wade no
terceiro período e deu ao torcedor dos Spurs a certeza: o troféu da NBA não
sairia do Texas nesta noite.
Redenção
também para Emanuel Ginóbili. Dono de uma atuação pífia na decisiva partida 6
da final do ano passado (sim, aquela marcada pela cesta de três de Ray Allen
que decidiu), o argentino decepcionou e fez apenas 8 pontos.
Neste
domingo, no dia da estreia vitoriosa do país na Copa do Mundo - triunfo por 2 a
1 sobre a Bósnia e Herzegovina, com direito a golaço de Lionel Messi, ele
brilhou: 19 pontos e o quarto anel. Na Argentina, neste domingo, o ala de 36
anos foi o maior destaque.
Entretanto,
apesar do brilhantismo de Manú, os Spurs mais uma vez deram o exemplo de como
se jogar basquete: defesa postada e jogo coletivo no ataque. Os números não
negam: Kawhi Leonard, talvez o grande destaque da série final, fez 22 pontos, o
veterano Tim Duncan 14, Tony Parker, 16, e o reserva Patrick Mills, 17.
Este
jogo em equipe consagra mais uma vez Gregg Popovich, agora, de fato, um dos
maiores técnicos da história da NBA. O treinador transformou a franquia do
Texas em uma vencedora de títulos: cinco com a vitória desta noite, todos sob o
comando do sisudo comandante (1999, 2003, 2005, 2007, 2014).
Início
turbulento, reação massacrante e título
A
partida deste domingo não começou nada simples para os Spurs. Apesar de terem o
apoio da torcida, os anfitriões começaram o jogo muito nervosos, errando vários
arremessos de quadra e permitindo vários contragolpes do Heat, que logo abriu
16 pontos de vantagem no marcador: 22 a 6.
A
reação começou ainda no primeiro quarto. A partir da segunda metade, comandados
por Kawhi Leonard, os Spurs diminuíram a diferença em relação aos visitantes
para apenas sete pontos: 29 a 22.
O
segundo quarto foi decisivo para o restante da partida. Os sete pontos de
vantagem do Heat foram logo pulverizados e transformados em vantagem de sete
pontos para os donos da casa, que levaram o placar de 47 a 40 para o intervalo.
A
pausa não mudou o panorama da partida, e os Spurs continuaram jogando em alto
nível. No terceiro quarto, as bolas de três do argentino Manu Ginóbili caíram
uma atrás da outra e levantaram os torcedores da AT&T Arena, que viram seu
time disparar no marcador e vibraram com a vantagem de 19 pontos como se o
título já estivesse garantido.
O
Heat, enfim, se encontrou nos minutos finais e impediu os anfitriões de
terminarem a partida com uma diferença ainda maior. Nada próximo do necessário
para impedir o título dos texanos com um triunfo tranquilo por 104 a 87.
O
destaque da partida foi o camisa 6 do Miami Heat, LeBron James, que chamou a
responsabilidade e fez um duplo-duplo de 31 pontos e 10 rebotes, insuficientes
para impedir a derrota do seu time.
Kawhi
Leonard voltou a brilhar com a camisa do San Antonio Spurs e também fez um
duplo-duplo, ao deixar a quadra com 22 pontos e 10 rebotes.
Além
disso, o jogador, que brilhou em toda a série final, foi eleito o MVP (jogador
mais valioso) das finais. Ele é o quarto jogador mais jovem da história a
receber tal prêmio.
Humilde
e ainda descrente pelo reconhecimento individual, Kawhi compartilhou a
conquista com os companheiros, ressaltando novamente o jogo coletivo que
consagrou os Spurs diante do estrelado Miami Heat de LeBron James, Dwayne Wade
e Chris Bosh.
"Eu
tenho um grande companheiros de equipe por trás. Os caras me incentivaram para
ser mais agressivo", disse rapidamente o ovacionado ala, o mais novo MVP
desde justamente Tim Duncan, no primeiro título dos Spurs, em 1999.
Ele
não tem tatuagens, não tem um perfil no Twitter, não é visto em casas noturnas
e em quadra não tenta anotar 40 pontos por noite para que sua equipe tenha uma
chance de vitória. Aos 38 anos, Tim Duncan faz tudo simples, e com maestria.
Não é à toa que seu apelido seja "Mr. Big Fundamental", o expert nos
fundamentos do basquete.
Alguns
o chamam de "chato", "sem carisma". Talvez seja verdade.
Mas Tim Duncan tem uma carreira invejável, jamais saiu do patamar de candidato
a títulos. Sua longevidade é invejável para qualquer carreira na NBA.
Neste
domingo ele conquistou seu quinto título na Liga, 15 anos depois do primeiro.
Dessa forma, Duncan agora é apenas o segundo jogador na história a ganhar
troféus em três décadas diferentes na NBA.
É
claro que Tim Duncan não fez isso tudo sozinho. Talvez o segredo da longevidade
venha de cima, da diretoria do San Antonio Spurs, que acredita na continuidade
do trabalho e, claro, de Gregg Popovich, o maior técnico da atualidade na Liga.
O
"tripé" da equipe está lá. Duncan, Parker e Ginóbili jogam juntos há
12 anos. E em San Antonio não existe o "eu". Se for necessário
qualquer um dos três ficar de fora, descansar, jogar poucos minutos, Popovich o
fará.
O técnico
da equipe é um verdadeiro gênio da NBA, daqueles que tira "leite de
pedra". Popovich apostou em um jogador argentino e o draftou com a 28ª
escolha da 2ª rodada em 1999. Manu Ginóbili ainda ficou 3 anos na Europa se
desenvolvendo até chegar aos Estados Unidos e se tornar possivelmente no melhor
sexto homem da história.
Popovich
também apostou num jovem francês de 19 anos e o recrutou com a antepenúltima
escolha da primeira rodada do Draft de 2001. Hoje em dia, Tony Parker está na
elite entre os armadores da NBA.
E
não são somente os protagonistas que Popovich escolheu a dedo. Danny Green,
titular do time e certeiro nos arremessos de três pontos, foi dispensado do
Cleveland Cavaliers em 2010. Os Spurs o acolheram. Kawhi Leonard foi draftado
pelo Indiana Pacers em 2011, e San Antonio deu George Hill - hoje armador
titular do time - em troca. Leonard se tornou um dos caras mais versáteis do
basquete e sabe parar ninguém menos do que LeBron James.
O
título desta temporada é mais uma prova da filosofia do San Antonio Spurs. Tony
Parker entrou em quadra na noite deste domingo com média de 17,5 pontos, a
maior do time. Nunca nenhuma equipe foi campeã tendo um cestinha com uma média
de pontos tão baixa.
Spurs
campeões é uma bela resposta à filosofia implantada na maioria dos lugares nos
Estados Unidos, onde se dá valor ao talento do "fominha", que anota
40 pontos por noite, mas que não sabe trabalhar em equipe, não sabe fazer seus
companheiros elevarem o nível e são egocêntricos.
Para
o bem do basquete, os Spurs deveriam ser campeões todo ano.

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