O pior não é ser goleado pela
Alemanha, mas perceber e entender que o placar de ontem foi uma consequência
natural de vários erros cometidos e repetidos no Brasil
Como explicar uma derrota por 7 a 1, dentro de casa em
uma semifinal de Copa do Mundo? Essa é uma pergunta que parece difícil
responder, mas no caso do Brasil, não é.
Em 2011 o Santos tomou 4 a 0 do Barcelona na final do
Mundial Interclubes e após a partida, o técnico do Barça, Pep Guardiola disse: “O
que tentamos fazer é tocar a bola o mais rápido possível. Na verdade, é o que o
Brasil sempre fez, segundo me contavam meus pais e meus avôs".
Passados três anos, parece que não aprendemos a lição. O
futebol brasileiro continua piorando, os erros e vícios continuaram se
repetindo, talvez em escala até maior e culminou no que vimos ontem.
A própria volta de Felipão e Parreira a seleção brasileira
mostrou-se um erro. Em 2012 o Palmeiras, comandado por Felipão, foi campeão da
Copa do Brasil e rebaixado no Brasileirão (Felipão saiu na reta final da
campanha do rebaixamento, mas deixou o time no Z-4). Como prêmio foi convidado
a dirigir a seleção canarinho, mesmo sendo um técnico a moda antiga,
ultrapassado, como mostrou o futebol apresentado pela seleção dentro de campo.
Após esse 7 a 1 é necessário olhar para dentro, olhar
para trás e entender o que está acontecendo com o futebol brasileiro. Por que
não temos mais grandes jogadores fazendo a diferença na Europa? (Todos os
jogadores da defesa, titulares contra a Alemanha, Julio César, Daniel Alves,
Dante, David Luiz, Marcelo e Luiz Gustavo, já ganharam a Liga dos Campeões da
Europa, ao contrário do que acontece com os jogadores do ataque).
Por que os clubes brasileiros estão falidos? Por que o
campeonato brasileiro está abandonado pela CBF? E por aí vai. São muitas
perguntas que precisam ser respondidas, mudanças que precisam começar de cima,
começando com uma limpeza geral na CBF. Fora Marin, fora Del Nero, fora
presidentes de federações de futebol. O futebol brasileiro precisa se
reinventar dentro e fora de campo. Acho que assim como outras modalidades já
fizeram e contratar um técnico estrangeiro. O basquete fez isso, o handebol
feminino (campeão mundial ano passado) fez também, mas foi dada liberdade para
esses treinadores implantarem uma nova filosofia.
O intercâmbio vai muito além das quatro linhas. Como lidamos
com nossas categorias de base? Ano passado houve polêmicas com o São Paulo, que
é tido como um clube que “rouba jogadores da base de outros clubes”, mas e o
debate do trabalho? Da formação dos jogadores? O país do futebol não enche
estádios? O país do futebol não consegue ser protagonista? Ter grandes
jogadores? Ter um bom futebol?
O futebol,brasileiro precisa voltar as suas origens,
quando ganhar era consequência de jogar bem, de ter bons jogadores e de
apresentar um bom futebol. Hoje em dia, tudo se resume ao placar final, a
vencer a qualquer preço, de qualquer maneira. Tivemos uma grande aula, e agora
precisamos colocar em prática o que aprendemos. Espero que o futebol brasileiro
encontre pessoas capazes de fazer essa mudança. Esse será o primeiro passo.

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