Corrida que começou com pista
molhada teve várias entradas do carro de segurança e terminou com segunda vitória da
RBR na temporada
De longe a melhor corrida de 2014.
Talvez as provas no Bahrein e no Canadá briguem pelo
mesmo posto, mas o que os espectadores em Hungaroring testemunharam teve algo a
mais.
O GP da Hungria proporcionou grandes pegas, muita
imprevisibilidade e emoção até a última volta. Daniel Ricciardo, mais uma vez,
conseguiu deixar a favorita Mercedes para trás e ganhou pela segunda vez na
temporada, provando ser o "melhor do resto".
Faltando três voltas para o final, o australiano da Red
Bull ultrapassou Lewis Hamilton e o então líder, Fernando Alonso, para vencer a
11ª etapa da Fórmula 1.
Enquanto isso, a briga interna na Mercedes escancarou de
vez.
Nico Rosberg reclamou no rádio por Hamilton não deixá-lo
passar, e na pista os dois se estranharam na última volta. O próprio
Twitter da equipe alemã perguntou após a reclamação de Rosberg: "Alguém
mais sentindo um pouco de tensão?"
No final, Alonso ficou em 2º, e o britânico chegou em 3º,
logo à frente do companheiro, diminuindo a desvantagem no Mundial. Campeão
mundial de 2005 e 2006, o espanhol arriscou permanecer na pista seca com pneus
médios e, por muito pouco, não deu à Ferrari sua primeira vitória depois de
mais de um ano e dois meses. A última foi com ele próprio, em maio de 2013, no
GP da Espanha. Neste ano, sua segunda posição deste domingo é o melhor
desempenho da escuderia italiana.
"É complicado, muito complicado. Precisamos
encontrar um equilíbrio, porque quando você compete pela Mercedes, representa
mais de 1000 pessoas, além dos colegas da fábrica. Temos que trabalhar como uma
equipe, mas chega um ponto em que você quer superar o outro piloto, e essa
linha é tênue", disse Rosberg.
De acordo com Rosberg, a relação com Hamilton ainda é
cordial, embora tenha altos e baixos. "Continua igual, não mudou. É
neutra. Às vezes é mais fácil e às vezes há períodos mais difíceis, mas nós
trabalhamos nas épocas mais complicadas e é assim que funciona", resumiu.
Para Nico Rosberg, os principais diretores da Mercedes
têm méritos por manter a situação controlada dentro da garagem com mais de
metade do campeonato já realizada e a equipe como franca favorita ao título
mundial de pilotos e construtores.
"Estamos muito bem servidos nesse ponto de vista,
com Toto (Wolff), Niki (Lauda) e Paddy (Lowe). Sou grato pela maneira com que
eles têm dirigido a equipe e administrado as situações. Historicamente, sabemos
que é muito difícil controlar esse tipo de disputa. Então, é importante fazer
as coisas certas", declarou.
A prova de Hamilton também não fica atrás. O vice-líder
precisou largar dos boxes, por conta de um vazamento de combustível em sua
Mercedes no treino classificatório, e cruzou em terceiro. O resultado na
Hungria diminui a diferença de Rosberg para Hamilton, de 14 para 11 pontos
(agora 202 contra 191). Ricciardo segue em terceiro lugar, mas salta de 106
para 131 pontos, ao passo que Alonso chega a 115.
Felipe Massa fez corrida correta e terminou na quinta
colocação, à frente de Valtteri Bottas, seu parceiro na Williams - oitavo em
Hungaroring. O brasileiro conquista em uma única prova um terço dos pontos
que tinha até então, saltando de 30 para 40.
A última troca de pneus foi escolha da equipe. Para mim,
o grande problema da corrida foi usar o pneu duro. Nosso carro era muito lento
com o pneu mais duro. A hora que começou a secar, começou a melhorar e eu
comecei a pegar o ritmo. Aí, com o safety car, a gente arriscou parar.
Nesse momento, eu acho que com o pneu mole nosso carro era muito mais
competitivo do que com pneu médio. A gente acabou usando demais o pneu
médio", disse Massa, à TV Globo, logo após a prova
De fato, com o pneu macio, Massa chegou a ocupar a 2ª
colocação durante a prova. Já com o pneu duro, acabou ultrapassado por Nico Rosberg
a poucas voltas do fim, acabando com sua chance de lutar ao menos pela 3ª
posição.
A próxima prova do Mundial é o GP da Bélgica, no
tradicional circuito de Spa-Francorchamps. Os pilotos terão quase um mês
de "descanso" até a corrida, já que ela ocorrerá apenas no dia 24 de
agosto.
A prova
Com a pista molhada, Rosberg sustentou muito bem a
primeira colocação garantida no treino classificatório. É verdade que ele não
foi tão atacado como poderia ter sido sem chuva, mas outros pilotos - todos
eles com pneus intermediários - perderam posições rapidamente no grid, como
Vettel (de segundo para terceiro) e Massa (de sexto para oitavo).
Lewis Hamilton, que abandonou o classificatório depois de
ter sido o dono dos melhores tempos nos três treinos livres, largou dos boxes.
A ansiedade por se recuperar no grid fez com que ele perdesse o controle do
carro logo na segunda curva da primeira volta. Deslize que não o tirou da
corrida, porém. Nem esse nem outro logo na sequência. Aos poucos, ele foi
fazendo ultrapassagens rumo à faixa de pontuação.
Além disso, a liderança de Rosberg, que registrava voltas
mais rápidas, não durou muito tempo. Uma batida forte do sueco Marcus Ericsson,
da Caterham, forçou a entrada do safety car na sétima volta. Muitas equipes
aproveitaram a ocasião para a alteração para pneus de pista seca, dado o final
da chuva. A Mercedes e a McLaren apostaram no contrário, e o líder do
campeonato se deu mal, retornando em quarto lugar, logo atrás de Massa.
O safety car precisou permanecer na pista por mais sete
voltas, pois o francês Romain Grosjean também se chocou contra a barreira de
pneus. Na relargada, Ricciardo foi superado por Button, mas, avisado pela
McLaren de que a aposta na chuva havia sido errada, o inglês (assim como
Hamilton, seu companheiro de equipe) fez um novo pit stop para trocar pneu e
cedeu a ponta ao australiano mais uma vez. Quem igualmente aproveitou a saída
de Button foi Massa, deixando Bottas bem atrás e registrando o melhor tempo da
corrida até então, na segunda colocação.
A partir do 20º giro, à essa altura já em em sétimo (só
dois postos atrás de Rosberg), Hamilton tinha Vettel como próximo alvo. Mas,
diferentemente dos outros pilotos ultrapassados pelo inglês, o alemão foi presa
mais difícil. A disputa teve uma pausa duas voltas depois, quando o mexicano Sergio
Perez perdeu o controle em trecho ainda escorregadio do traçado e chocou sua
Force India na lateral da reta dos boxes, forçando o retorno do carro de
segurança.
Enquanto limpavam a pista, Ricciardo e Massa trocaram os
pneus - a Williams arriscou voltar ao composto médio, na tentativa de não fazer
nova parada até o final.
Em franca ascensão, Alonso herdou a dianteira, à frente
de Vergne e Rosberg. O espanhol logo abriu diferença confortável para o segundo
colocado, que passou a ser Hamilton na volta 34. Depois de finalmente superar
Vettel e dar seguimento à sua recuperação, o inglês aproveitou a segunda parada
de Rosberg para subir para terceiro e, na sequência, ultrapassar Vergne. Quatro
voltas depois, com Alonso nos boxes, Hamilton teve mais dois giros na primeira
colocação antes de também parar.
A maior agilidade da Ferrari garantiu Alonso na frente de
Hamilton no realinhamento do grid, em terceiro e quarto, respectivamente. A 25
voltas do final, a estratégia da Williams para Massa se prejudicou, pois o
brasileiro precisou do terceiro pit stop, no qual renovou os pneus
intermediários, o que o levou para trás de Bottas, na sexta colocação. Por sua
vez, Ricciardo se manteve por bom tempo com mais de dez segundos de frente na
ponta, porém foi se tornando mais lento e teve que parar de novo na volta 54,
cedendo a ponta a Alonso.
O espanhol, então, teria que se sustentar com o mesmo
pneu até o final da prova. Em segundo, Hamilton não ofereceu a posição a
Rosberg, a contragosto do pedido do colega e líder do campeonato, que foi
orientado pela equipe a ir mais cedo para os boxes. Logo ficou visível,
entretanto, que os líderes não suportariam à chegada cada vez mais rápida de
Ricciardo. Hamilton resistiu à primeira investida a seis voltas do fim, mas foi
ultrapassado dois giros depois. Restando duas voltas, foi a vez de Alonso, com
pneus bastante desgastados, ceder ao avanço definitivo e vitorioso do jovem
australiano.
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