Ex-presidente, que irá se afastar da
direção do estádio do Timão e é candidato a deputado federal está sendo
processado pelo Ministério Público Federal
A Justiça federal aceitou denúncia oferecida pelo
Ministério Público Federal contra Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians,
e mais três dirigentes do clube por crime fiscal: o não pagamento de imposto de
renda no prazo correto.
Os procuradores acusam os dirigentes de terem
"retido, consciente e voluntariamente, o valor referente ao imposto de
renda retido na fonte, não tendo recolhido aos cofres públicos e/ou declarado
em DCTF a respectiva verba nas competências mencionadas da exordial
acusatória".Segundo o Ministério Público, o valor do débito hoje,
incluindo juros e correção monetária, é de R$ 94,3 milhões. Inicialmente,
os quatro podem ser condenados até dois anos de detenção, além do pagamento de
multa.
Além de Andrés, são citados Roberto de Andrade,
ex-diretor de futebol corintiano, Raul Correa da Silva, diretor financeiro do
clube, e André Luiz de Oliveira, ex-diretor administrativo do clube. Eles foram
os escolhidos na denúncia para responderem pelo clube por terem o poder de
gerência na época.
A 10ª Vara Federal Criminal de São Paulo, a quem os
procuradores ofereceram o caso, aceitou parcialmente a denúncia. Isso porque
segundo o juiz parte da "retenção" de impostos não pode ser mais
punida, já que foi prescrita. Mas foi aceita a denúncia sobre o não pagamento
dos tributos realizados a partir de 12 de julho de 2010, ou quase um ano e meio
antes de Andrés deixar a presidência.
Em seu despacho, o juiz Joaldo Karolmenig de Lima
Cavalcanti vê indícios de que Andrés e os outros três dirigentes agiram com
dolo. "Não há indícios de que a conduta foi praticada com exclusão de
ilucitude ou culpabilidade".
Andrés Sanchez
afirma que foi feito um acordo em relação ao caso, com um plano de pagamentos
dos impostos não recolhidos. E que qualquer pronunciamento adicional deveria
ser feito pelo departamento jurídico do Corinthians.
Também procurado, o clube afirma que "os impostos
estão sendo recolhidos mensalmente, mas o juiz não excluiu a punibilidade. Nós
estamos certos, no entanto, que vamos conseguir absolvê-los. É importante dizer
que eles não se apropriaram de nada para benefício próprio. Não deram um golpe
no clube. O que aconteceu foi uma impossibilidade de recolher os impostos
naquele momento por causa da situação financeira do clube. Agora, em uma
situação melhor, a antes mesmo de saber da denúncia, já estamos recolhendo os
impostos do acordo que fizemos", diz Luiz Alberto Bussab, diretor jurídico
do Corinthians.
Em contato com a reportagem, André Luiz de Oliveira falou
que ainda não foi citado e que não tinha conhecimento sobre o caso. Roberto de
Andrade afirmou que sabe do que terá de responder judicialmente, mas que já
houve um acordo que está sendo pago. Raul Corrêa da Silva, no entanto, não
atendeu aos telefonemas.

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