21 dias após os gritos racistas
contra o goleiro do Santos, atitude da torcida parece deixar claro que
torcedores não entenderam o que aconteceu
Personagem tanto pelo
extra-campo como pelo o que aconteceu dentro de campo, o goleiro Aranha deu
declarações fortes na saída do gramado na Arena, onde Grêmio e Santos empataram
em 0 a 0 nesta quinta-feira. Incomodado com o tratamento da torcida gremista,
que o vaiou a partida inteira, o arqueiro criticou de maneira contundente parte
dos fãs do time gaúcho.
"Foi triste porque deu para
perceber bem qual é o pensamento do torcedor gremista, a maioria apoiou o ato
(do outro jogo). Teve muita gente se manifestando contra a minha atitude, sendo
que eu relatei para o árbitro, isso está nas regras. Isso é justiça, muita
gente sofreu para que tivesse leis. A punição serve para ensinar",
afirmou.
"Não ligo para vaia,
manifestação do torcedor, desde que seja do esporte. Todo mundo sabe que a vaia
hoje foi diferente. Ou não foi? Você sabe por quê? Por tudo o que aconteceu no
outro jogo. Ou você concorda com o que aconteceu?", encerrou, quase
discutindo com alguns dos repórteres na ida para o vestiário.
Aranha recebeu apupos desde que
pisou pela primeira vez no gramado, para o aquecimento. Durante a partida, era
vaiado intensamente toda vez que se preparava para a reposição de bola. Em uma
das pausas do jogo, um forte coro de ‘Aranha viado' ecoou no estádio.
O atleta já tinha se mostrado
incomodado na saída do primeiro tempo, quando se encaminhava para o vestiário.
"Para mim, sim, está tudo bem.
Sempre procuro respeitar o adversário, a torcida adversária. É triste (o
comportamento da torcida do Grêmio), eles (torcedores) parecem que concordam
com tudo o que aconteceu (injúrias raciais). Tenho de fazer minha parte. Estou
tranquilo, sou profissional. Mas que é triste, é triste", afirmou aoSportv.
Após o fim do jogo, o atleta deu longa
entrevista aos repórteres presentes na Arena e disse, entre outras coisas, que
toparia se encontrar com a torcedora Patrícia Moreira. Leia abaixo:
Sobre o retorno à Arena do Grêmio e como foi o jogo
Eu vim disposto, de coração aberto
achando que a garota estaria aí, ia mostrar que eu não tenho rancor. Sei que
ela não é racista, mas teve atitude racista, e que às vezes o exemplo serve
para mudar o pensamento. Muita gente não me xingou porque sabia que estava
sendo filmado e poderia ser pego. Mas a intenção foi a mesma.
Sobre Felipão ter dito que ele exagerou
Rapaz, é complicado.. Às vezes
quando a justiça funciona a gente fica meio sem acreditar , começa até a
duvidar dos fatos. As imagens não mostraram as quinhentas mil pessoas que me
xingaram, pegaram a garota e uns outros cinco. Eu vi o que ele falou, mas a
gente te quem respeitar, eu respeito a opinião de todo mundo. Às vezes não
concordo, fico chateado, ele fala de lá, eu falo daqui.
Sobre como se preparou para o retorno à Arena
Sou profissional acima de tudo,
respeito torcedores e time adversário. Sabia que com essa estrutura
maravilhosa, esse time e o técnico o Grêmio não precisaria usar o extra-campo
para vencer. E o jogo em si foi bem disputado, isso ajuda se concentrar.
Encontro com a torcedora Patrícia Moreira
Eu não quero polemizar. Não tem que
existir a cor de pele. Tem que existir o caráter. Em relação a ela, eu toparia
encontrar com ela, abraçar ela, mas ela teria que responder perante a Justiça.
Não quero me promover, não quero chabu como a gente diz. Uma coisa é abraçar e
perdoar, porque a imprensa vai explorar. Cada vez mais ele está piorando a
situação dela. Primeiro a gente assume o erro e beleza, está resolvido. Tentou
chorar e não conseguiu, foi em programa para se explicar, foi piorando a
situação. Isso está se prolongando sem necessidade. Eu fiz o que deveria como
cidadão. Se for para encontrar com ela, aquela cena, música e só depois dos
comerciais, estou fora.
O árbitro mineiro Ricardo Marques
Ribeiro e seus assistentes envolvidos no empate por 0 a 0 entre Grêmio e
Santos, nessa quinta-feira, em Porto Alegre, pela 22ª rodada do Campeonato
Brasileiro, não relataram na súmula do jogo o comportamento da torcida da casa
contra o goleiro santista Aranha.
Na súmula, Ricardo Marques Ribeiro
limitou-se a escrever que "nada houve de anormal" durante o confronto
desta semana. No relatório do assistente do jogo consta o mesmo comentário.

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