Mais uma vez manauara derrotou Chad
Mendes, mas dessa vez com muito mais dificuldade. Phil Davis amassou Glover
Teixeira e Fabio Maldonado voltou a vencer
Não será desta vez que o Brasil ficará sem nenhum
cinturão no UFC. Lutando em casa mais uma vez - e desta vez um ginásio que o
fez se sentir ainda mais em casa -, José Aldo não sentiu o peso da pressão que
tinha em seus ombros e bateu mais uma vez o norte-americano Chad Mendes, desta
vez na decisão unânime dos jurados (49-46, 49-46 e 49-46).
Desta vez, porém, a conversa foi diferente do que havia
sido em janeiro de 2012. Nada de nocaute com joelhada como acontecera no
primeiro encontro entre os dois. Bem verdade que José Aldo ficou bem perto de
acabar com a luta logo no primeiro round de novo e, curiosamente, até chegou a
apagar o adversário. O soco que derrubou Mendes, porém, acabou saindo alguns
centésimos de segundo depois do fim do assalto.
Aldo ainda partiu para cima e dominou os dois rounds
seguintes. No terceiro, voltou a conseguir um knockdown e ficou perto de novo
de nocautear. Mas Mendes se mostrou duro na queda. O norte-americano ainda
contou com um corte no olho do brasileiro para levar o quarto assalto e chegou
até a assustar com um gancho que balançou o campeão.
Mas a estratégia de Dedé Pederneira desta vez funcionou
perfeitamente. Aldo voltou para o round final para garantir o triunfo que tinha
embaixo dos braços e conseguiu fazer perfeitamente tudo que planejou.
A vitória mantém Aldo quase perfeito em sua carreira,
agora com 25 vitórias em 26 lutas. No UFC, já são sete triunfos, todos
defendendo o cinturão dos pesos pena.
Mas a vitória deste sábado significou muito mais que
isso. Afinal de contas, Aldo colocava em jogo o último cinturão do Brasil no
UFC em jogo. E, em um país que costuma gostar de esporte pelo tamanho do
sucesso de seus competidores, isso quer dizer muito.
A expectativa fica agora por conta do futuro. E José Aldo
já deu um recado bem claro sobre o que pensa sobre o mais cotado para ser seu
desafiante, o irlandês Conor McGregor. "Eu luto com quem falarem para eu
lutar. Mas estava falando com o Dedé (Pederneiras). Agora a corte está completa
na categoria. Tem o rei, o príncipe, que é o Chad que já ganhou de todo mundo,
e o bobo, que anda falando muito por aí", disse.
O irlandês estava nas arquibancadas do Maracanãzinho, mas
não reagiu às palavras. A expectativa, inclusive, era de que ele subisse ao
octógono para desafiar o brasileiro logo após a luta. O problema é que o UFC
melou os planos e agendou uma luta de Conor McGregor contra o alemão Dennis
Siver para janeiro.
O presidente do UFC, Dana White, procurou amenizar as
provocações e afirmou que o falastrão Conor ainda tem que passar pela luta
contra Siver,em Boston, para se credenciar a lutar pelo cinturão da categoria.
Mas deixou evidente que caso o irlandês vença, ele deve ser o próximo
desafiante do brasileiro.
“Primeiro o McGregor já tem uma luta em Boston contra o
Siver. Então, ele tem primeiro essa luta para fazer e, se ele vencer, então
provavelmente, casaremos a luta com José Aldo. Mas primeiro tem que acontecer
essa luta em janeiro e aí ver o que acontece" ponderou Dana.
Outra opção de próximo rival para Aldo é o vencedor do
duelo entre Cub Swanson e Frank Edgar.
TEIXEIRA AMASSADO E MALDONADO VITORIOSO
Quando o nome Fábio Maldonado aparece em um card, não tem
jeito: vai ter show. E não foi diferente neste sábado, ainda mais em casa e com
um Maracanãzinho lotado. O brasileiro até começou mal sua luta contra o
holandês Hans Stringer, mas conseguiu outra virada para o seu cartel e venceu
por nocaute logo no segundo round.
O ponto alto, porém, veio curiosamente depois do fim da
luta. Maldonado pulou para comemorar em cima das grades e, quando menos
esperava, viu em sua frente ninguém menos que Anderson Silva. O ex-campeão dos
pesos médios não se conteve após a virada que assistiu e resolveu pular no
octógono. Os dois se abraçaram, comemoraram e trocaram beijos no rosto e na
careca.
"Anderson é dez, fico feliz de saber que está bem,
que se recuperou. Vamos torcer para ele contra o campeão do Nick Diaz",
disse Maldonado ainda no octógono.
O triunfo deste sábado foi importante por dois motivos
para Maldonado. Primeiro porque o recupera da pesada derrota para Stipe Miocic
em sua frustrada incursão para os pesos pesados. Depois porque mostra que o
brasileiro consegue resolver situações difíceis, mesmo quando é pressionado no
chão e tem que ficar longe de sua especialidade, o boxe.
A comemoração da arquibancada, porém, não durou muito.
Logo na lua seguinte, Glover Teixeira não conseguiu corresponder às
expectativas e acabou completamente amassado por Phil Davis. O ‘Matador de
Brasileiros' fez o jogo pelo qual é conhecido: grudou como um carrapato,
amarrou a luta no chão e levou a vitória na decisão unânime dos jurados, com um
triplo 30-27.
Foi nada menos que a terceira vitória de Phil Davis em
solo brasileiro, a terceira no Rio de Janeiro. Antes, ele já havia batido
Wagner Caldeirão e Lyoto Machida.
Já Glover não consegue se recuperar da derrota para Jon
Jones na disputa pelo cinturão dos meio-pesados e deve voltar mesmo para o fim
da fila da categoria.


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