#FLAMENGO – A DEMISSÃO DE FELIPE XIMENES E A SUPERVALORIZAÇÃO DOS EXECUTIVOS DE FUTEBOL


            Ximenes chegou junto com Ney Franco e nunca teve plenos poderes. Caetano fez um trabalho questionável, mas levou o Vasco a primeira divisão


            Cada vez mais valorizados no futebol, os executivos remunerados são disputados a peso de ouro. Eduardo Maluf, do Atlético-MG e Alexandre Mattos, do Cruzeiro são dois cases de sucesso. Mas outros como José Carlos Brunoro não estão tão em alta assim.
            Aliás, Felipe Ximenes, que exercia esse mesmo cargo no Flamengo foi demitido nessa quarta-feira. Com pouco prestígio com a diretoria do clube e com relacionamento ruim com Vanderlei Luxemburgo, já se sabia a alguns meses que Ximenes não ficaria no cargo em 2015.
            O que chama a atenção é o nome favorito para substituir Felipe. Rodrigo Caetano acabou de se desligar do Vasco e foi responsável por montar o time que penou para subir e acabou a série B na terceira posição. Se o América-MG não tivesse sido punido com a perda de 6 pontos, o Vasco terminaria a Série B na quarta posição. O que é uma vergonha.
            Entendo com muita tranquilidade a demissão de Felipe Ximenes, mas não encontro justificativa para a contratação de Rodrigo Caetano. Vladimir Pescarmona, candidato derrotado a presidência do Palmeiras, também queria contratar o antigo executivo do Vasco.
            Tem coisas que não se explicam. Os clubes estão muito endividados, mas adoram jogar dinheiro fora.

            Leia a nota emitida por Felipe Ximenes sobre a sua demissão do Flamengo:

             “Ao ser comunicado hoje pelo Clube de Regatas do Flamengo da rescisão prematura do meu contrato de trabalho, após seis meses da minha chegada, deixo o clube com a certeza de ter feito o melhor para que a equipe retomasse o rumo de volta ao lugar que cabe ao Flamengo e sua história dentro do futebol brasileiro.
            Encontrei um cenário totalmente adverso: o time sob o comando do segundo treinador no ano, ocupando a 19ª posição na tabela do Campeonato Brasileiro e uma forte pressão para contratações durante a parada para a Copa do Mundo.
            Desempenhei minha função pautado pelo profissionalismo que rege minha carreira, do qual me orgulho e não abro mão. Liderei a troca de treinadores de forma absolutamente ética, sugeri o nome do substituto e o apresentei à imprensa.
            Liderei a rescisão dos contratos de alguns jogadores que o clube considerava não estarem dentro do perfil necessitado pelo Flamengo naquele momento e suportando a pressão externa e interna do clube, estive a frente do processo das duas únicas contratações feitas naquele período, Canteros e Eduardo da Silva, que se revelaram nomes de destaque na recuperação elenco.
            Durante esse período, houve trocas de comando, com o cargo de Vice-presidente de Futebol do clube tendo sido ocupado por algumas pessoas, começando por Wallin Vasconcellos, o próprio Eduardo Bandeira, passando por um conselho com seis nomes e culminando com Alexandre Wrobel, que conta com ainda com um Conselho de quatro outros membros. Segui meu trabalho com a mesma lealdade, honestidade e profissionalismo em todas as gestões.
            Hoje o Flamengo aparece em 9 lugar na tabela do Brasileiro e se está ainda distante dos times que escreveram a história vitoriosa do clube, também livre de qualquer ameaça de cair para a segunda divisão do futebol brasileiro, temor de todos, quando fui contratado. Mais que isso, está mais organizado para se planejar daqui para frente.
            Ao aceitar o convite para ser o Diretor Executivo do futebol do Flamengo acreditava poder colaborar com a profissionalização do clube, uma bandeira da diretoria. Rescindi um contrato pela primeira vez na minha história profissional, com o Esporte Clube Vitória, e mudei para o Rio de Janeiro confiante em um trabalho de longa duração como outros que desenvolvi ao longo de 30 anos de vida dedicada ao esporte e que me rendeu reconhecimento e a convicção de que estava no caminho certo. O futebol brasileiro deve buscar de forma incessante a profissionalização em todos os setores, no cenário atual não cabe mais uma administração sem funções definidas e executadas por pessoas preparadas para cada uma delas.

            Lamento não ter podido avançar nesse trabalho e agradeço à direção do Flamengo pelo convite feito. Trabalhar no clube é sempre uma honra para qualquer profissional. Espero que o Flamengo encontre o caminho de grandes conquistas enquanto seguirei minha trilha com disposição para o trabalho, seriedade e ética."
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