Trocar técnicos no Brasil é algo
muito comum, mas poucos dirigentes trocam de técnicos pensando que estão
trocando também a filosofia do clube
É inegável que trocar técnicos, ao longo e no fim da
temporada, é algo tipicamente brasileiro, assim como o samba, o carnaval e o
jeitinho.
O que não me parece comum quando falamos da troca de
técnicos, e deveria ser, é que trocar o comando técnico de um time significa
trocar de filosofia, mudar a maneira de pensar e enxergar futebol.
Times como Corinthians, Palmeiras, Internacional, Santos e
Vasco da Gama devem mudar de treinadores após o fim do Brasileirão. O Internacional
foi o terceiro colocado no campeonato brasileiro e deve trocar Abel Braga por
Tite, que também interessa ao Corinthians, quarto colocado e que dispensou Mano
Menezes ontem.
O que o Inter pode ganhar com essa mudança? O que Tite,
Abel Braga e Osvaldo de Oliveira podem acrescentar ao Timão? Pouco, quase nada.
São treinadores que pensam parecido, que tem a mesma
filosofia de trabalho, a mesma essência. Enxergam o futebol da mesma forma.
É uma mudança que agrada torcedores, mas que faz mal ao
time. Porque se traz poucas mudanças, é melhor ficar com o mesmo técnico, que
já conhece o elenco e que fizeram boas campanhas, apesar dos altos e baixos.
Se for para mudar de técnico, que se mude a filosofia. No
caso de Colorado e Timão, trazer, por exemplo, o Cristovão Borges poderia
significar uma tentativa de se mudar à filosofia de trabalho.
Reclamava-se muito do time defensivo do Tite ano passado.
Esse ano isso não mudou. E para o ano que vem não deve mudar. Se for para
pensar o futebol diferente, porque não buscar Jorge Sampaoli no Chile, ou
Alessandro Sabella, ex-técnico da Argentina? Os técnicos brasileiros estão em
patamar parecido, pouco se diferenciam. Como Levir Culpi e Marcelo Oliveira.
Interessante que técnicos como o próprio Tite e Levir tiveram que sair do Brasil
ir para outros centros, menores e com menos tradição no futebol, para voltarem
e fazerem trabalhos de alto nível.
Será que um dos muitos problemas do futebol brasileiro
não é essa arrogância de acharmos que somos superiores, que somos bons demais
que não temos nada que aprender. Não é daí que vem essa mesmice que deixa o nosso
futebol cada vez mais comum e mais chato? Pode ser.
Levir Culpi disse após o título da Copa do Brasil e essa
semana no Bola da Vez da ESPN Brasil que aprendeu muito no Japão. Tecnicamente
eles são ruins de bola, mas do ponto de vista do futebol coletivo, tático (não
vou nem falar de organização porque seria apelação), eles estão bem a nossa
frente. Sinal dos tempos.

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