Lúcio de Castro, da ESPN, fez
denúncias grave contra a CBV e agora a CGU ofereceu denúncia contra dirigentes
da entidade
A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) começa a sentir
os efeitos do relatório da CGU (Controladoria Geral da União), que
confirmou e ampliou denúncias do 'Dossiê Vôlei' da ESPN. Na tarde desta
quinta-feira, o Banco do Brasil, patrocinador da entidade esportiva, emitiu uma
nota oficial na qual anuncia a suspensão dos pagamentos dos contratos com a
CBV.
Além disso, o Banco do Brasil condiciona a volta do
pagamento do patrocínio ao cumprimento das recomendações feitas pela CGU.
Nesta quinta-feira, jornalista Lúcio de Castro,
responsável pelas denúncias de irregularidades da CBV, veiculou com
exclusividade o relatório final da CGU. O documento não só confirma, como
também amplia as denúncias.
De acordo com a CGU, há casos de favorecimentos e
licitações viciadas. Além disso, o relatório relaciona que o
"gerenciamento impróprio" das verbas teve efeito direto no bolso dos
atletas. Tudo evidenciado com documentos e números.
O relatório repercutiu entre
atletas de seleção brasileira. "Por favor, não me venham com nota oficial
pra comentar sobre a matéria. É hora de dar as caras e se explicar!",
disparou Murilo, em seu Twitter.
Após tuitar uma série de trechos da matéria, que mostra
que a auditoria da CGU confirma as denúncias publicadas pela ESPN, e
também acrescenta uma série de outras irregularidades encontradas na CBV
(Confederação Brasileira de Vôlei), Murilo mostrou-se estarrecido.
"Esses últimos tweets eu retirei da
matéria da ESPN sobre o relatório do CGU, e é de entristecer qualquer
um que faz esporte no Brasil!", lamentou.
"O pior é fingirem que esta tudo bem! Ou que nada
aconteceu!", completou.
As reclamações de Murilo foram endossadas pelo central
Gustavo, irmão do jogador do Sesi, que atua pelo Canoas. Ambos fazem parte do
movimento "Unidos pelo Voleibol", que cobra mudanças na CBV e
melhoras na Superliga, principal competição da modalidade no país.
Outro que se manifestou no Twitter foi Bruninho:
"Nós não vamos nos calar!", prometeu o jogador da seleção brasileira.
Leia, abaixo, na íntegra, a nota oficial do Banco do
Brasil.
"O Banco do Brasil informa que
suspendeu os pagamentos à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) referentes aos
contratos de patrocínio e condiciona a retomada dos pagamentos - e a
continuidade do patrocínio - à adoção imediata pela CBV de todas as medidas
corretivas apontadas pela Controladoria Geral da União (CGU), além de outras
identificadas pelo Banco como necessárias.
Parte das medidas apontadas pela CGU
foram previamente identificadas pelo BB e constam de aditivo contratual que foi
negociado com a CBV, porém sem resposta final por parte da Confederação.
O Banco do Brasil reitera que não
irá compactuar com qualquer prática ilegal, ou que seja prejudicial ao esporte
e à comunidade do vôlei, e entende ser necessário que a CBV adote novas
práticas de gestão que tragam mais disciplina e transparência à aplicação dos
recursos."
Às 17h30, a CBV emitiu nota oficial. Leia, abaixo, na
íntegra:
"A Confederação Brasileira de
Voleibol (CBV) recebeu na tarde de 04/12/2014 o relatório nº 201407834 de
auditoria da Controladoria Geral da União, depois da série de denúncias da ESPN
sobre a gestão do ex-presidente Ary Graça Filho.
Mesmo antes do relatório final, a
nova gestão tomou providências visando implantar uma governança responsável e,
acima de tudo, ética. Entre as medidas sugeridas pela CGU no relatório final já
havia contratado auditoria para analisar os exercícios anteriores, cancelando
contratos que possuíam vícios éticos, abrindo as contas e disponibilizando
documentos para as entidades de fiscalização, sem restrição nenhuma. Desde
abril de 2014 publica mensalmente balancetes em seu sítio eletrônico, tem um
modelo de governança desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, já reestruturou
o quadro administrativo, criou medidas de aprimoramento na seleção de
fornecedores e implantou uma auditoria interna permanente.
A reportagem publicada pela ESPN
restringe-se a duas citações sobre a responsabilidade da atual gestão. A
primeira sobre pagamentos em 2014 para a empresa SMP Sports Marketing,
totalizando 188.000,00 reais. A empresa de propriedade de Marcos Pina recebeu
pelos serviços prestados pelo citado de novembro de 2013 a fevereiro de 2014,
quando foi superintendente da CBV e recebia via pessoa jurídica o valor mensal
de 47.000,00 reais. Nenhum outro pagamento após o seu desligamento foi
efetuado.
Sobre a segunda citação, a CBV
expressa veementemente que o diretor de eventos Marcelo Wangler recebe apenas
uma remuneração mensal, paga através da pessoa jurídica MWangler Produções e
Eventos Ltda.
De posse do relatório final da
auditoria da CGU a CBV tomou as medidas que estão ao seu alcance legal,
contratando o escritório jurídico Thompson Motta Advogados Associados para
acionar judicialmente buscando o ressarcimento dos valores gastos com contratos
ou serviços suspeitos.
A determinação do presidente da CBV,
Walter Pitombo Larangeiras, é para o cumprimento integral das medidas sugeridas
pela Controladoria Geral da União. O esforço agora é para implementar aquelas
que são essenciais para a melhoria do voleibol brasileiro, a exemplo da criação
do Conselho de Apoio à CBV, formado por atletas, técnicos e a comunidade do
voleibol."

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