A semana do Tricolor começa
tumultuada fora de campo. A demissão do ex-CEO Alexandre Bourgeois, que não completou
nem três meses no cargo continua repercutindo e as acusações são pesadas.
O dirigente concedeu entrevista a
Folha de São Paulo e afirmou que foi boicotado e isolado dentro do clube
paulista, sem acesso a nenhum documento ou poder de decisão.
Contratado por Aidar, após
indicação do empresário Abílio Diniz, para modernizar e profissionalizar a
gestão, o executivo acabou demitido acusado por dirigentes de vazar informações
e não apresentar os devidos resultados.
"Eu fiquei em uma sala isolada
esse tempo todo, com muito pouco acesso à informação. Eu pedi contratos que eu
nunca tive acesso. Eu passei por momentos de alguma humilhação. O que eu sei é
que o fato de eu estar lá inibia algumas ações que iam contra o São
Paulo", disse Bourgeois.
"Foi algo surreal. Me
colocaram em uma sala com oito pessoas. Foi covarde. Eu fui demitido por um
assessor de imprensa, que inclusive, falou que era faixa preta de judô e que se
me encontrasse na rua ia me pegar. Coisas de um nível muito baixo. E eu ali
resolvi ficar mais calado do que qualquer outra coisa. Eu não ia fazer um
escândalo. Eu fiquei na minha, quando me falaram, fui embora", afirmou.
Gustavo Vieira de Oliveira,
ex-gerente de futebol concedeu entrevista ao Lance! e falou sobre os problemas
internos do clube.
"É natural que algumas pessoas
gostem mais ou menos, ou até não gostem do seu trabalho. O problema é quando
isso se dá de forma desleal. Se isso chama-se fritura, em algum momento, fui,
sim. Me senti um pouco (fritado), mas para quem está no futebol é parte do
jogo. A estrutura de clube no Brasil permite muitas visões e interesses
antagônicos no trabalho, cria um ambiente muito politizado, não vertical de
competência", desabafou.
Após essas acusações a diretoria do
Tricolor se defendeu, e nessa tarde o clube divulgou uma nota oficial, assinada
pelo presidente Carlos Miguel Aidar, para listar os motivos da demissão de Bourgeois.
Confira abaixo as oitos
justificativas do presidente para demitir o ex-CEO:
·
Quebra de confiança, já que ele informava estar
visitando instituições financeiras, quando na verdade estava participando de
reuniões de caráter político;
·
Desempenho pífio nas tarefas a ele confiadas,
como, por exemplo, deixar de produzir um diagnóstico com base em entrevistas e
reuniões com os vice-presidentes;
·
Perfil profissional incompatível com o momento
vivido pelo clube, que exige um profissional com mais experiência em
renegociações com bancos e instituições financeiras;
·
Viés inadequado de empresário de futebol, talvez
decorrente de sua atuação no passado;
·
Vazamento de informações internas do clube para alguns
jornalistas por ele eleitos, em desacordo com as estratégias e políticas de
comunicação do clube;
·
Aproveitamento do trabalho de terceiros, como se
fosse por ele produzido;
·
Falta de iniciativa de integração com as várias
áreas do clube, à exceção do CT da Barra Funda para tirar fotos;
·
Não apresentação de solução financeira ao Clube,
embora tenha se posto como pai do FIDIC quando este projeto é de autoria de
outra pessoa;

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