Opinião: oralidade e respeito passam longe de Brasília


O Brasil amanhece em uma segunda-feira sobre incertezas e ideias conspiratórias. Após o circo protagonizado por deputados federais durante a votação de prosseguimento do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, o brasileiro tenta continuar a sua vida. Não há governabilidade, independente de qual ocupante do poder.

Há mais de um ano encontramos um país estagnado politicamente, em que só se discute causas relacionadas ao impedimento de uma Presidente eleita democraticamente com 54 Milhões de votos, deixando pautas importantes para o desenvolvimento social em segundo plano. Antes mesmo de tomar posse, alguns setores já procuravam um motivo plausível para tomar frente na guerra pelo Planalto.

Desenha-se uma disputa de 'terceiro turno' em que a 'luta contra corrupção' está sendo levantada como símbolo para 'as mudanças que o país precisa'. É importante lembrar que grande parte dos deputados apoiadores desta bandeira estão respondendo a inúmeros processos judiciais.

Ontem o prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Muniz (PSB) foi elogiado por sua mulher, a deputada Raquel Muniz (PSD) que justificou o voto favorável ao prosseguimento do impeachment porque 'o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão'. Hoje a Polícia Federal realizou a prisão preventiva do prefeito, que é suspeito de prejudicar o funcionamento de hospitais públicos para favorecer um hospital privado, administrado por sua família. Este é o Brasil que luta 'contra a corrupção'.

A oralidade e o respeito a norma culta da língua passaram longe da Câmara dos Deputados. Não é necessária a citação de um caso específico, grande parte dos deputados que não sabe conjugar um verbo e colocar uma frase no plural. Pátria educadora!

Muitos 'defensores do povo' utilizaram argumentos específicos, justificaram o voto com base em Deus, família, amigos, movimentos sociais, povo e houve quem dedicasse o voto aos militares de 64. Um ou outro deputado fez questão de exaltar um torturador da Ditadura.

O que poucos citaram foi o crime cometido pela Presidente.

A luta contra a corrupção é necessária para um Brasil melhor, porém, os líderes deste movimento não apresentam nenhuma credibilidade a não ser a disputa pelo Palácio do Planalto. A democracia está em risco de ser atropelada por si mesma. Independente do vencedor no processo de impeachment, seja ele Cunha, Temer, Lula ou a Presidente Dilma, é possível apontar o principal perdedor, o povo brasileiro.

Escrito Por: Diego Souza - @diegotsouza_

'Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Portal Esporte Notícias, mas de seu autor'
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