Liderados por Palmeiras, presidentes boicotam audiência sobre Torcida Única

Os quatro grandes clubes de São Paulo se uniram para desarticular a discussão sobre Torcida Única realizada em audiência pública, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Foi a imagem que ficou entre os presentes ao encontro, realizado nesta quarta-feira. Nenhum dos presidentes de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo compareceu ao encontro. O movimento teria sido encabeçado por Paulo Nobre, presidente alviverde, segundo o deputado que organizou a discussão, Luiz Fernando (PT).
Defensor da Torcida Única, o dirigente teria dito ao parlamentar que iria convencer os demais presidentes a boicotarem a reunião: "Sou a favor da Torcida Única. Não vou e vou trabalhar para que nenhum presidente compareça", foi o que o deputado contou ter ouvido de Paulo Nobre, ao telefone.
E assim ocorreu. Embora tenham confirmado presença ao receberem o convite, com exceção a Nobre que negou, todos os presidentes deram bolo.
"São Paulo, Santos e Corinthians confirmaram, mas simplesmente não apareceram", contou ao Blog um assessor do deputado.
O Tricolor enviou representante, Ataíde Gil Guerreiro, mas este apenas participou da fase de apresentações iniciais da audiência. Seria chamado à mesa de discussão, entretanto não ficou para o debate.
"Eu achei uma atitude irresponsável dos presidentes se ausentarem do debate", lamentou o deputado.
Participaram da audiência o promotor autor da recomendação de Torcida Única, Paulo Castilho, a delegada da Polícia Civil responsável pela delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), Margareth Barreto, representantes da Polícia Militar, a Federação Paulista de Futebol (FPF), a CBF, deputados e os jornalistas Mauro Cezar Pereira, da ESPN, Rodrigo Vessoni, do Lance, e Luis Augusto Simon, o Menon, do UOL.
O secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, também confirmou presença, mas não apareceu.
Gestos, atitudes e diálogo
Paulo Nobre tem atitude firme e que se mostra acertada em não favorecer, nem dialogar com integrantes de torcidas organizadas, diferentemente do mandatário do Corinthians, Roberto de Andrade, que abriga esses torcedores, até mesmo dentro do CT. São Paulo e Santos chegaram a se unir pela paz em ato simbólico indo ao último clássico no mesmo ônibus, com os jogadores sentados lado-a-lado.
No entanto, a democracia se faz com o debate. Diálogo, opiniões divergentes, fazem parte da construção de ideias. Coisa que o futebol, parece querer boicotar.
A assessoria de Paulo Nobre foi procurada para explicar a resposta que o dirigente teria dado ao deputado Luiz Fernando, mas não se manifestou.
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