Para dar coragem nos tempos difíceis tempos de traidores, 09 de Abril de 1964...
Uma vez, era uma noite chuvosa e ventosa, eles caminhavam pela rua pobre de uma cidade distante. Caminhamos curvados. De um quarto escuro, através das persianas de madeira, chegamos até nós o rumor das vozes dos homens conversando amargamente.
De repente, alguém na sala proferiu um nome. Amargo e desespero voaram, a esperança permaneceu. Acima de nós, acima da chuva e do vento, uma estrela brilhava na rua pobre. Uma alegria de primavera atingiu a noite chuvosa do inverno.
Outra vez, vimos homens serem levados para a prisão. Eles sorriam, não eram ladrões nem assassinos, não exploravam mulheres e não vendiam drogas. Aqueles que os dirigiam eram ladrões, assassinos, eles exploravam homens, vendiam drogas, eram agentes do estado. Esses homens que estavam sendo levados para a prisão estavam sorrindo, as mulheres que os viram irem choravam, os homens apertaram os punhos. Alguém murmurou um nome, o nome de outro prisioneiro. E a esperança brilhava nos sorrisos dos prisioneiros, as lágrimas das mulheres, os punhos cerrados daqueles que permaneceram.
O golpe militar de 1964 deixou aqui marcas de suas patas ensanguentadas.
No dia 9 de Abril, em uma noite melancólica partia de São Sebastião do Paraíso para Belo Horizonte quinze presos políticos de alta periculosidade dentre eles o meu pai, casas foram remexidas, assoalhos e forros foram arrancados. Estavam procurando armamento de Cuba aqui nessa cidade que era totalmente pacifica e ordeira, foram embora os quinze com destino incerto, as famílias entraram em desespero total, entre esses um foi tão barbaramente torturado, que quando foi solto no outro dia amanheceu morto.
Foram dias trevosos, 21 anos de muito sofrimento e dor. Todos os presos quando ganhara liberdade passaram a serem vigiados pelo Serviço Nacional de Informação (SNI). São Eles:
Brás - Médico Veterinário Presente
João Eduardo - Comerciante Presente
Geraldo Borges Campos (Peba) - Barbeiro Presente
Jose da Matta - Alfaiate (o tio de quem escreve essa coluna) Presente
Calos Gaspar - Empresário (também parte da minha família) Presente
Gilberto Gaspar - Engenheiro da USP (meu primo) Presente
Guerino Paschoini - Encanador Presente
Lázaro - Carteiro Presente
José Paes - Sapateiro Presente
Osorio Rodrigues - Bancário (meu pai) Presente
José Garcia Escobar - Comerciante Espanhol Presente
Tertuliano Carvalhais - Conhecido como "Nem barbeiro" Presente
Leopoldo Bortone - Alfaiate Presente
Salgado (da companhia Siqueira Meireles) o único que ainda vive para contar a historia...
*Enviado pelo colaborador Carlinhos Rodrigues
(A opinião expressa no texto não reflete necessariamente os ideais do veículo)

0 comentários:
Postar um comentário