A LEI DO PASSE PODE VOLTAR

            O presidente do Sport Clube do Recife, Luciano Bivar encontrou-se com José Maria Marin, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e sugeriu a ele uma ideia “brilhante” para continuar mantendo o futebol brasileiro nas trevas.   "Por que não voltamos com o passe?", perguntou o dirigente ao mandatário da CBF.
            Como um bom homem da ditadura militar, Marin gostou da ideia. "O Marin falou que poderíamos montar de repente uma comissão para estudar a ideia", disse Bivar ao site ESPN.com.br. "A maioria é solidária. Estive em Londres com o Marcelo Campos Pinto, da TV Globo, o próprio Marin, conversei com presidentes de grandes como Vasco, Atlético-PR e Coritiba e todo mundo responde que a gente tem que modificar".
            Para os mais jovens, a lei do passe foi extinta em março de 1998 quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei sugerida pelo Rei do futebol, por isso o nome de Lei Pelé. O passe era um vinculo que mantinha o jogador no clube por tempo indeterminado, mesmo após o término do contrato de trabalho.
            Com a Lei Pelé surgiram os direitos econômicos, que vigoram até hoje. Essa medida completa 15 anos e é criticada por dirigentes que culpam os empresários pela sua incapacidade de gerir contratos profissionais.
            É muito mais fácil para o clube negociar sabendo que o jogador está preso, como era na época do passe, que já foi abolido no mundo inteiro, mas que aqui volta a pauta, afinal somos pentacampeões mundiais e podemos fazer tudo, até nadar na contramão e continuarmos refém de nossa arrogância e pre-potência.
            "Naquele momento, o clube tinha um jogador, investia. Se algum outro quisesse, estipulava quanto queria para liberar e pronto. É só haver uma correlação entre o salário e o valor do passe para ficar justo. Esse negócio de escravismo vem da imprensa populista. No treino do Sport, você tem corrente de ouro, carro importado e meia dúzia de grandes salários. A maioria hoje passa aperto no futebol", explica Bivar.
"A minha tese é de que daqui a pouco vai ter mais procurador que jogador. Tem que alterar isso. Não adianta a TV dar R$ 1 bilhão para repartir se no outro dia vem o empresário e ameaça levar o seu principal nome. Se você não libera, o cara vai bater o pênalti e colocar na trave. Esses direitos econômicos são um absurdo", finaliza o dirigente.
Assim como a discussão sobre o formato do campeonato brasileiro (não podemos voltar para a época do mata-mata, seria outro retrocesso), discutir a lei do passe hoje seria mais um atestado de incompetência de nossos dirigentes. No momento em que deveríamos discutir o calendário absurdo que temos, os estaduais que são longos e só servem para garantir votos na eleição da CBF e a responsabilidade fiscal e administrativa de nossos dirigentes esportivos, estamos falando de Lei do Passe.

Só para constar Luciano Bivar é político, filiado ao PSL-PE e em 1998 foi eleito deputado federal, quando fez parte da bancada da bola. O que poderíamos esperar dele?

Escrito por: Vinicius Alexis - @Vinicius_Alexis - vinicius.alexis.cruz@gmail.com
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