COB irá se chamar Comitê Olímpico do
Brasil. Prefeito Eduardo Paes prometeu que esses serão os jogos de “maior
legado da história”
O Comitê Olímpico Brasileiro, fundado em 1914, passará a
utilizar o nome Comitê Olímpico do Brasil. Marcus Vinícius Freire, diretor
executivo de esportes da entidade, divulgou a alteração nesta segunda-feira, no
Rio de Janeiro.
A ideia é aumentar a identificação com o público e seguir
tendência adotada por outros comitês olímpicos nacionais. O novo logotipo foi
desenvolvido em conjunto com funcionários da Nike, fornecedora de material
esportivo da entidade.
O símbolo do chamado Time Brasil, maneira pela qual o COB
se refere à própria delegação, também será modificado. Em breve, a entidade
presidida por Carlos Arthur Nuzman pretende formalizar as alterações.
Depois da Regata Internacional de Vela, que está sendo
disputada nesta semana na Baía de Guanabara, o Comitê Organizador do Rio 2016
anunciou nesta segunda-feira o calendário com todos os 45 eventos-teste que
serão realizados antes da Olimpíada. A previsão é que 22 dessas competições
aconteçam em 2015, e a próxima delas será a maratona, no dia 15 de julho do
próximo ano, com chegada no Sambódromo.
Em agosto, outros setes eventos estão programados para o
Rio de Janeiro, reunindo principalmente esportes ao ar livre: canoagem,
hipismo, vela, ciclismo de estrada, marcha atlética, maratona aquática e golfe.
As datas específicas serão divulgadas até o fim de 2014. A ideia é realizar as provas
no mesmo período do ano em que os Jogos serão disputados, para reproduzir as
condições climáticas.
A maioria dos testes das modalidades em ginásios
fechados, como basquete e judô, por exemplo, serão realizados a partir de
janeiro de 2016, quando as obras do Parque Olímpico da Barra da Tijuca já devem
estar prontas. Os últimos testes acontecerão somente em maio de 2016, três
meses antes da abertura da Olimpíada, que serão as provas de natação e de
atletismo, no centro aquático da Barra e no estádio do Engenhão,
respectivamente.
"Os eventos-teste são uma parte vital da preparação
para a organização dos Jogos, garantindo a oportunidade de colocar em prática
todo o nosso planejamento. Eles também representam uma chance única de integrar
a equipe do Comitê Organizador com as federações esportivas nacionais e
internacionais e as equipes dos governos, que também terão um papel crucial na
entrega dos Jogos", disse Delphine Moulin, gerente de eventos-teste do Rio
2016.
O Comitê Organizador, no entanto, admite que nem todos os
equipamentos esportivos poderão ser testados com 100% de seu funcionamento, já
que alguns deles podem não estar totalmente finalizados no momento desses
eventos. As obras em Deodoro, que começaram com atraso no último mês, são as
que mais preocupam. O diretor de Esportes e Integração do Rio 2016, Agberto
Guimarães, citou como exemplo a arena de rugby, que não precisaria estar com os
15 mil lugares de arquibancadas prontos para o teste em março de 2016.
"Pode acontecer de alguma obras não estar concluída,
mas ainda assim existe a possibilidade de testá-la", admitiu Agberto
Guimarães, nesta segunda-feira, em evento que marcou os dois anos que faltam
até os Jogos.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ainda falou
sobre as obras de adaptação do Engenhão, que precisará reber 15 mil assentos
provisórios para aumentar a capacidade para 60 mil torcedores na Olimpíada. O
estádio, que vai sediar as provas de atletismo, está interditado no momento e
passando por obras por causa de um problema estrutural na cobertura.
"Resolvido o atraso das obras de Deodoro, o
cronograma está em dia. 55% das instalações olímpicas estão prontas ou em
adaptação. O Engenhão está pronto, passando por adaptação, em novembro ou
dezembro deste ano fica pronto. Depois a Prefeitura vai ter que alugar 15 mil
cadeiras para colcar no Engenhão, mas não tem porque alugar agora e pagar dois
anos de cadeiras. Isso vai ser feito no fim de 2015", explicou o prefeito
carioca.
Aproximadamente 8.400 atletas, sendo 1.200 Paralímpicos,
são esperados para competir nos 45 eventos-teste dos Jogos Rio 2016. As
competições tem como principal objetivo testar os ginásios, estádios,
estruturas e a operação em geral, além de dar aos atletas a chance de competir
nos locais da Olimpíada.
Confira abaixo o calendário completo dos eventos-teste
para o Rio 2016:
O Rio de Janeiro vive situação inédita na história dos
grandes eventos esportivos. Pela primeira vez uma cidade receberá, em
sequência, a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos, com diferença de
dois anos entre os dois maiores eventos do esporte mundial. É só a segunda vez
que um país sedia os eventos seguidamente (Copa dos Estados Unidos, em 1994, e
Olimpíada de Atlanta, que não foi sede da Copa, em 1996), o que abre o leque de
comparações entre o torneio da Fifa e o evento do COI. Faltando nesta
terça-feira exatamente dois anos para a abertura, que será realizada no dia 5
de agosto de 2016, a Olimpíada está mais atrasada do que a Copa estava em 2012,
quando faltavam dois anos para o pontapé inicial.
Doze estádios foram construídos ou reformados para a Copa
do Mundo de 2014. No dia 12 de junho de 2012, dois anos antes da abertura,
nenhum deles estava pronto, mas seis mantinham a ideia de serem entregues no
prazo determinado (Arena Corinthians, Maracanã, Mineirão, Mané Garrincha, Fonte
Nova e Castelão) enquanto outros seis já estavam com o cronograma atrasado
(Beira Rio, Arena da Baixada, Arena Pantanal, Arena Pernambuco, Arena das
Dunas, Arena da Amazônia). Ou seja, 50% das áreas de competição da Copa estavam
atrasadas faltando 24 meses para o início do torneio, e pouco mais de um ano
para a Copa das Confederações, evento-teste da Fifa.
Para os Jogos Olímpicos, a realidade é diferente.
Atualmente, ao todo, são 17 obras em locais que receberão disputas por medalhas
olímpicas, seja de construção ou adequação de áreas de competição. Destas, dez
não devem ficar prontas nos prazos estipulados pelo dossiê da candidatura da
sede, feito em 2008. Outras sete ainda estão no prazo. Ou seja, cerca de 60%
das obras estão atrasadas a dois anos dos Jogos, 10% a mais do que na Copa. E
os próprios organizadores admitem as dificuldades maiores do evento que está
por vir.
"A Copa do Mundo no Brasil foi um sucesso, mas
Olimpíada é bem diferente. Quando você faz a abertura da Copa do Mundo, em São
Paulo, você traz dois ônibus de atletas ao estádio, na abertura da Olimpíada
você leva cerca de dez mil atletas, e no dia seguinte leva os atletas para
treinar e competir em 14 diferentes lugares. Então, a logística é bem
diferente, existe uma dificuldade para isso. Esse é apenas um dos exemplos. Mas
tenho certeza que o Brasil vai conseguir fazer isso", analisa Gilbert
Felli, diretor executivo do COI.
"Olimpíada é completamente diferente. A Copa teve
723 atletas, 15 mil voluntários pelo Brasil todo, 15 nações jogando no Rio e só
um esporte. A Olimpíada terá 15 mil atletas, 70 mil voluntários só no Rio, 200
nações competindo e 28 modalidades, além da Paralimpíada", mensura Eduardo
Paes, prefeito do Rio de Janeiro.
Maria Lenk, Engenhão e Estádio de Remo da Lagoa ainda não
assinaram contratos para começo das obras
Casa do polo aquático e dos saltos ornamentais, o Parque
Aquático Maria Lenk é o mais atrasado. O dossiê de candidatura previa o início
das obras de adequação em 2010 e fim no ano seguinte. Até hoje, segundo a
última atualização da Matriz de Responsabilidades divulgada no fim de julho,
nem o contrato para o início das intervenções foi assinado.
Mesmo caso vive a reforma do Estádio de Remo da Lagoa e a
adequação do Estádio Olímpico, o Engenhão, que, apesar disso, foi
apresentado como "pronto" no discurso de Eduardo Paes no
encontro com a mídia, realizado nesta segunda.
Ao todo, além das 17 obras citadas específicas dentro das
áreas de competição, outras 35 acontecem nos entornos ou no apoio às
instalações esportivas. Quinze delas ainda não começaram e não passaram da fase
burocrática. Antes da assinatura dos contratos relacionado a Deodoro, em julho,
mais da metade não tinham passado desta fase, de acordo com a primeira
divulgação das Matriz de Responsabilidades.
"O Parque Olímpico da Barra tem o seus problemas
como todo mega evento tem os seus problemas, por isso que é um mega evento
esportivo, com as obrigações do COI que também é uma negociação constante, mas
o principal da Olimpíada está bem encaminhado", analisa o General Fernando
Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Pública Olímpica.
Das sete obras no prazo, duas devem ter
"correria" para terminar no tempo previsto
Ciclismo, hóquei, tênis, golfe, tiro com arco, maratona
e vela. Os atletas destas modalidades são os que podem ficar mais tranquilos em
relação às áreas de competição de seus esportes faltando dois anos para 2016.
São as modalidades que serão disputadas nas sete obras que ainda esperançam
serem entregues no prazo definido pelo dossiê de candidatura de 2008.
Das sete, no entanto, duas, a Centro Olímpico de BMX e o
Velódromo ainda estão dentro do prazo de entrega, mas tiveram o início das
obras muito atrasado. O local de disputa do ciclismo, modalidade BMX, tinha
início de obra previsto para 2012 e conclusão para 2015. O prazo para o fim
continua o mesmo, mas as obras só começaram no mês passado. Um ano e meio a
menos para tocar todo o projeto.
"A flexibilidade em termos de tempo, de uma gordura
para fazer alguma coisa não tem, mas tá tudo dentro do tempo necessário para
concluir as obras e usar em 2016", revela o presidente da APO.
Outras duas intervenções ainda dentro da data limite, a
Arena do Hóquei e o Centro de Golfe, não estavam no Dossiê de Candidatura de
2008, pois as definições sobre locais só ocorreram depois. Assim, o prazo foi
definido posteriormente .
O Centro de Tênis, as adequações estruturais da Marina da
Glória e o Sambódromo, que abrigará o tiro com arco e a maratona, são os únicos
locais onde as obras começaram na época prevista e que ainda podem ser
concluídas no tempo calculado pelo dossiê de seis anos atrás. Ainda assim, o
tom é otimista entre os organizadores.
"Nós iniciamos as obras de Deodoro, elas estão na
mão, o Parque Olímpico está completamente dentro do prazo. Aliás, está três
semanas adiantado. Recuperamos o atraso daquela greve de duas semanas do ano
passado e adiantamos ainda três semanas. As obras de legado e infraestrutura
estão todas em dia. Eu não tenho dúvidas. A partir do ano que vem teremos
vários eventos-teste e vamos entregar as arenas, equipamentos esportivos e, o
mais importante, o que fica para a cidade usufruir", diz Eduardo Paes, que
fez uma comparação com o que aconteceu na organização do Mundial de futebol no
Brasil.
"Não tenho dúvida que o sucesso da Copa ajuda no
processo da Olimpíada. Sofremos pressões e críticas, algumas pertinentes e
outras infundadas, com relação à capacidade do nosso país de organizar o
evento. Mas vimos que tudo aquilo que tinha sido assumido pelo Governo
aconteceu. Então, a jornada da Olimpíada não precisa ser tão dolorosa
quanto a da Copa".




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